Redação do Site Inovação Tecnológica - 26/05/2026

Içando sem guindaste
Turbinas eólicas instaladas no mar exigem estruturas fundacionais que precisam ser instaladas a 60 metros de profundidade. E essas subestruturas podem pesar até 2.500 toneladas cada uma.
Atualmente, sua instalação depende de guindastes de grande porte, cuja disponibilidade é limitada e o custo elevado - hoje existem apenas cinco embarcações no mundo capazes de levantar tanto peso.
Por isso, engenheiros noruegueses decidiram desenvolver uma alternativa completamente nova: Eles trocaram a altura dos guindastes pela largura excepcionalmente ampla de uma barca, que tem 166 metros de comprimento por mais de 73 metros de largura
Além da base ampla, a sustentação é auxiliada pelo fato de que a barca pode ser submersa até mais de 30 metros de profundidade, o que significa manter o deque a 22,5 metros abaixo da superfície da água.
Os primeiros testes tiveram sucesso total, com a barca transportando e erguendo duas subestruturas para turbinas eólicas offshore simultaneamente, mostrando ser esta uma alternativa promissora para reduzir os custos das fazendas eólicas marítimas.

Barca que afunda
O novo sistema, testado em Trondheim, utilizou a barca submersível equipada com uma estrutura de elevação e seu próprio sistema de dobradiças. Os testes, realizados com uma e duas subestruturas, mostraram que a barca em condições mais realísticas (com ondas) se comportou de acordo com as simulações numéricas feitas em computador, indicando que o transporte duplo é viável, assim como o erguimento das estruturas na posição vertical no destino.
A tecnologia elimina a necessidade dos guindastes gigantes, permitindo que a carga seja posta para flutuar para fora da barca sem um guindaste ou içada utilizando embarcações menores, mais baratas e mais acessíveis.
"Ao utilizarmos barcaças submersíveis para operações marítimas, muitas vezes podemos evitar o uso de grandes e dispendiosos navios-guindaste. A carga pode ser transportada flutuando sem a necessidade de um navio-guindaste, ou içada da barcaça utilizando embarcações menores, mais baratas e de mais acesso," disse Mateusz Graczyk, da Fundação para Pesquisa Científica e Industrial (Sintef) da Noruega.
Os trabalhos continuam agora no desenvolvimento do processo de descarregamento das subestruturas e posicionamento no leito marinho. A Noruega pretende destinar áreas para a produção de 30.000 MW de energia eólica em ambiente marítimo até 2040.