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Especialistas apontam ações para impulsionar inovação no Brasil

Com informações da Agência Fapesp - 30/05/2019

Perspectivas sobre a inovação

Nos últimos 20 anos, o Brasil concretizou diversas políticas e programas voltados a fortalecer a capacidade de inovação no setor produtivo. O país aumentou os investimentos em ciência e tecnologia, estimulou a interação em pesquisa entre empresas e universidades e fomentou a criação de novas instituições voltadas a facilitar a pesquisa e desenvolvimento (P&D) na iniciativa privada.

Apesar de algum sucesso nessa trajetória - egressos das melhores universidades no país têm criado empresas startups de baseadas em conhecimento e algumas dessas tornaram-se "unicórnios", empresas que valem mais de US$ 1 bilhão -, a agenda da inovação no Brasil não avançou no ritmo necessário.

Para impulsionar a inovação, de modo a permitir aumentar a produtividade e o crescimento econômico do país e colocá-lo na rota de desenvolvimento no século 21, é preciso implementar um conjunto de ações estratégicas, sugerem os autores de um livro lançado em inglês, intitulado Innovation in Brazil: Advancing development in the 21st century. O livro ganhará uma edição em português, prevista para ser lançada em outubro.

Resultado de um projeto financiado pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), o livro reúne reflexões de pesquisadores do Centro de Desempenho Industrial (Industrial Performance Center) do MIT e acadêmicos, empresários e especialistas em política científica e tecnológica no Brasil, sobre os desafios para a criação de um ambiente mais favorável à inovação no país.

"O livro é binacional, no sentido de que tem uma participação muito equilibrada de autores dos Estados Unidos e do Brasil. Além disso, é interdisciplinar, uma vez que, entre os autores, há economistas, sociólogos, engenheiros, físicos e empresários. Isso permite ter perspectivas distintas sobre a inovação," disse Ben Ross Schneider, um dos editores do livro.

Não está funcionando

Algo há a se fazer porque os resultados não estão vindo apesar de o Brasil liderar os investimentos em P&D na América Latina, gastando mais do que o dobro da média de recursos dos outros países, e ser responsável por cerca de dois terços dessa atividade na região.

O Brasil também é um dos principais investidores em P&D entre os países de renda média, juntamente com a Malásia e a Rússia, com gastos para essa finalidade equivalendo a 1,3% do Produto Interno Bruto (PIB), cerca da metade dos níveis dos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

Mas esse investimento do Brasil em P&D teve pouco impacto na produtividade, o número de registros de patentes por empresas no país continua baixo e a maioria das inovações feitas pelo setor privado é focada em produtos e processos voltados ao mercado interno.

Estratégias de P&D para o Brasil

Entre as ações recomendadas pelos autores do livro estão aprofundar o envolvimento do Brasil com a economia global, alinhar políticas industriais e de inovação, facilitar a colaboração entre empresas e universidades, apoiar a inovação institucional e promover setores estratégicos.

Segundo eles, uma das lições que o Brasil pode aprender a partir das experiências de outros países que também procuraram aumentar a capacidade de inovação nas últimas décadas é que, em comum, incluíram em suas estratégias o fortalecimento das universidades como parceiras das indústrias e do governo em pesquisas que podem resultar em desenvolvimento econômico.

No Brasil, as universidades evoluíram nas últimas décadas, embora de forma desigual, ao adotar uma abordagem que associou a busca de excelência em educação de seus estudantes à incorporação de iniciativas relacionadas ao desenvolvimento econômico e ao empreendedorismo.

Alguns dos desafios enfrentados para traduzir o conhecimento científico e técnico gerado por essas instituições de pesquisa em novos produtos, processos e serviços pelo mercado, contudo, são pequeno número de engenheiros formada no país, o alto custo de insumos para P&D devido a políticas protecionistas e o limitado número de parceiros no setor privado dispostos a investir em tecnologias em estágio inicial, apontam os autores.

Na opinião de Fernanda de Negri, coordenadora de pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e também uma das autoras do livro, há muitas áreas no Brasil nas quais poderiam ser aplicados os conhecimentos gerados pelas universidades e instituições de pesquisa. Essas áreas, como saúde, mobilidade urbana e energia, poderiam ser priorizadas nos investimentos em pesquisa por meio de fundos específicos.

Outras áreas ou setores estratégicos nos quais o Brasil poderia aumentar os incentivos para inovação apontados pelos autores são em energias renováveis, como a eólica, a solar, a térmica e os biocombustíveis.





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