Redação do Site Inovação Tecnológica - 15/07/2026

Painel solar de metassuperfície
Embora ainda seja uma tecnologia pouco conhecida do público, é difícil exagerar o impacto dos metamateriais e, mais recentemente, das metassuperfícies, materiais artificiais revolucionários compostos por nanoestruturas que podem focalizar, desviar, torcer e até dobrar ondas, sobretudo as eletromagnéticas, como as ondas de rádio e de luz.
O progresso está sendo rápido, e logo surgiram as metassuperfícies programáveis, agora também conhecidas como "superfícies inteligentes programáveis" ou hiperssuperfícies, muito mais versáteis do que as originais, que só manipulavam as ondas para as quais foram projetadas inicialmente.
Atualmente, as metassuperfícies programáveis estão avançando rapidamente no campo das comunicações sem fio, podendo ser divididas em duas categorias principais: (1) superfícies de retransmissão passivas, que otimizam a qualidade dos sinais por meio de geração de feixes espacialmente programados e (2) sistemas de comunicação sem fio de arquitetura simples, que modulam diretamente as informações nas ondas refletidas.
Entre os exemplos estão painéis que direcionam sinais de comunicação por ambientes complexos, lentes planas ajustáveis, manipuladores de qubits de computadores quânticos e novos dispositivos médicos bioeletrônicos, mas a lista de demonstrações cresce a cada dia.
Mas a programabilidade trouxe um custo: Enquanto as metassuperfícies tradicionais são estruturas passivas, o que significa que elas não precisam de alimentação de energia, as metassuperfícies programáveis só funcionam com fontes externas de eletricidade, o que eliminou grande parte das vantagens de simplicidade, baixo custo, tamanho e escalabilidade.
Han Tian e colegas da Universidade Sudeste, na China, acreditam ter a solução: Integrar células solares às metassuperfícies programáveis, para trazer de volta a simplicidade, o baixo custo e a facilidade de instalação.

Codificação espaço-temporal
O novo conceito foi batizado de metassuperfície de codificação espaço-temporal acionada por energia ambiente.
Para isso, células solares são integradas heterogeneamente em cada meta-átomo - as unidades básicas que formam uma metassuperfície ou metamaterial - para captar a energia luminosa ambiente e fazer o controle dinâmico das ondas eletromagnéticas refletidas, ambos compartilhando a mesma abertura física.
Isso exigiu um novo método de codificação espaço-temporal, permitindo que a metassuperfície programável autônoma consiga formar múltiplos feixes de comunicação independentes em múltiplas frequências harmônicas simultaneamente. Modulando a fase de cada feixe, a técnica permite multiplexar diferentes recursos de frequência e espaço, criando múltiplos canais independentes de transmissão de informação.

Sobra muita energia
Como prova de conceito, a equipe construiu um sistema de comunicações sem fios de quatro canais, autoalimentado pela luminosidade ambiente, que alcançou uma alta eficiência em diferentes direções de propagação dos feixes de comunicação. O sistema experimental conseguiu transmitir simultaneamente, independentemente e em tempo real, quatro fluxos de informações de imagens diferentes, para quatro terminais de usuário, com um consumo de energia de apenas 17,4 mW/bit.
A eficiência energética é tamanha que sobrou muita energia. O painel conseguiu captar até 12 mW/cm2 de energia solar do ambiente, excedendo em quase 20 vezes seu próprio consumo de energia (apenas 0,66 mW/cm2). Uma estimativa simples mostra que, sob uma irradiação solar padrão de 100 mW/cm2, a metassuperfície com alimentação solar pode captar em 1,3 hora toda a eletricidade necessária para garantir sua operação contínua por 24 horas.