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Sol pode ter tido uma estrela irmã

Redação do Site Inovação Tecnológica - 19/08/2020

Sistema Solar pode ter sido um sistema binário, com duas estrelas
Se comprovada, a hipótese pode explicar muita coisa na orla exterior do nosso sistema.
[Imagem: M. Weiss]

Tatooine era aqui

Se Luke Skywalker não vivesse em uma galáxia muito, muito distante, ele poderia ter-se sentido em casa em um planeta do nosso Sistema Solar - há muito, muito tempo atrás.

Uma nova teoria propõe que o Sol pode ter tido uma estrela companheira de massa semelhante, e que o Sistema Solar teria nascido como um sistema binário.

Os sistemas com dois sóis são comuns em nossa galáxia, e a ideia pode explicar muitas coisas que estão em aberto sobre o Sistema Solar, incluindo a origem da Nuvem de Oort e do Planeta Nove.

Sistema solar binário

Avi Loeb e Amir Siraj, da Universidade de Harvard, nos EUA, estão propondo que a existência de uma companheira binária no aglomerado de nascimento do Sol - a coleção de estrelas que se formaram junto com o Sol a partir da mesma nuvem de gás molecular - poderia explicar questões importantes ainda em aberto sobre o Sistema Solar.

A teoria mais aceita hoje pelos astrônomos associa a formação da Nuvem de Oort - um "cinturão" de objetos celestes na orla exterior que os astrônomos acreditam ser a fonte dos cometas - com os restos da formação do Sistema Solar e seus vizinhos, com corpos celestes de menor porte sendo arremessados pelos planetas a grandes distâncias.

"Os modelos anteriores têm dificuldade em produzir a proporção esperada entre objetos dispersos no disco [protoplanetário] e objetos da nuvem externa de Oort. O modelo binário de captura oferece melhorias e refinamentos significativos, o que é aparentemente óbvio em retrospecto: a maioria das estrelas semelhantes ao Sol nasce com companheiras binárias," disse Siraj.

Se a Nuvem de Oort foi realmente capturada com a ajuda de uma estrela gêmea do Sol, as implicações para a nossa compreensão da formação do Sistema Solar seriam significativas. "Os sistemas binários são muito mais eficientes na captura de objetos do que estrelas simples," disse Loeb. "Se a Nuvem de Oort se formou conforme a vemos hoje, isso implicaria que o Sol de fato tinha uma companheira de massa semelhante que se perdeu antes de o Sol deixar seu aglomerado de nascimento."

Trazer água e levar os dinossauros

Outra implicação da teoria é que uma nuvem de Oort capturada, e não nascida junto com o sistema, poderia responder até mesmo a questões sobre a origem da vida na Terra.

"Objetos na nuvem externa de Oort podem ter desempenhado papéis importantes na história da Terra, como possivelmente transportar água para a Terra e causar a extinção dos dinossauros," defende Siraj.

O modelo também tem implicações para o hipotético Planeta Nove, que Loeb e Siraj acreditam não estar sozinho, e que também pode ter sido capturado.

"O quebra-cabeça não é apenas em relação às nuvens de Oort, mas também aos objetos transnetunianos extremos, como o potencial Planeta Nove," disse Loeb. "Não está claro de onde eles vieram, e nosso novo modelo prevê que deve haver mais objetos com uma orientação orbital semelhante ao Planeta Nove."

Sistema Solar pode ter sido um sistema binário, com duas estrelas
O planetoide Goblin ampliou a fronteira do Sistema Solar - mas pode haver mais.
[Imagem: Roberto Molar Candanosa/Scott Sheppard/Carnegie Institution for Science]

Foi-se

Se o Sol teve uma companheira em sua juventude, que contribuiu para a formação do Sistema Solar externo, resta então a pergunta que não quer calar: Para onde ela foi?

"Estrelas que passaram pelo aglomerado de nascimento teriam removido a companheira do Sol por meio de sua influência gravitacional," defende Loeb. "Antes da perda do binário, no entanto, o Sistema Solar já teria capturado seu envelope externo de objetos, ou seja, a Nuvem de Oort e a população do Planeta Nove. A companheira há muito perdida do Sol pode estar agora em qualquer lugar da Via Láctea."

Bibliografia:

Artigo: The Case for an Early Solar Binary Companion
Autores: Amir Siraj, Abraham Loeb
Revista: The Astrophysical Journal Letters
Vol.: 899, Number 2
DOI: 10.3847/2041-8213/abac66





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