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Meio ambiente

Plástico banido está sendo vendido como biodegradável em supermercados

Com informações da Agência Fapesp - 27/09/2023

Plástico banido está sendo vendido como plástico biodegradável em supermercados
Os compósitos de madeira estão despontando como uma alternativa aos plásticos e um caminho para uma vida ambientalmente amigável.
[Imagem: (Esquerda) Sulapac; (Direita) Woodio]

Plásticos oxodegradáveis

Ao analisar itens de plástico vendidos como "ecológicos" em 40 estabelecimentos comerciais em todo o país, pesquisadores da Unifesp (Universidade Estadual Paulista) constataram que a maioria pertence à classe dos oxodegradáveis - banida em vários países por agravar a poluição por microplásticos.

A contaminação por microplásticos tornou-se, depois da crise climática, um dos maiores problemas ambientais do planeta. Há microplásticos em todos os lugares: na terra, no mar e no ar. Um agravante é que os bioplásticos, que deveriam ser uma solução, muitas vezes constituem um problema a mais.

Os pesquisadores visitaram 40 supermercados e procuraram produtos vendidos como sendo feitos com plásticos biodegradáveis. Eles encontraram um total de 49 produtos diferentes, incluindo sacolas, copos, pratos, talheres e outros utensílios de cozinha. Esses itens eram, em média, 125% mais caros do que os similares feitos de plásticos convencionais.

A grande surpresa foi verificar que nenhum deles, mesmo os de grandes marcas, atendia aos requisitos mínimos para serem considerados de fato biodegradáveis. "Para ser considerado biodegradável, um produto, quando descartado no meio ambiente, deve-se converter em água [H2O], gás carbônico [CO2], metano [CH4] e biomassa em um intervalo de tempo relativamente curto. Não há consenso sobre que intervalo de tempo é esse. Mas a ideia geral é que varie de algumas semanas a um ano. Nenhum dos 49 itens que investigamos atendeu a esse requisito," contou o professor Ítalo Castro.

Segundo o pesquisador, mais de 90% dos objetos são na verdade fabricados com uma classe de materiais que se convencionou chamar de oxodegradáveis. Apesar do nome, esses materiais não sofrem degradação em condições ambientais normais. São polímeros de origem fóssil aditivados com sais metálicos. Os sais aceleram o processo de oxidação e fragmentação, mas os fragmentos podem permanecer por décadas na natureza. Além de não contribuir para a degradação, a fragmentação acelera a formação de microplásticos.

"Os plásticos oxodegradáveis já foram proibidos em vários locais do mundo, incluindo a União Europeia. Na maioria dos casos, as proibições ocorreram pela falta de evidências de biodegradabilidade em ambientes reais, associada ao risco de formação de microplásticos," disse Ítalo.

Verdejamento

Como os plásticos oxodegradáveis ainda não são proibidos no Brasil, sua venda não constitui crime. No entanto, além da denominação induzir a erro, os consumidores são enganados pela alegação de muitas empresas de que seus produtos foram aprovados por normas técnicas e testes de biodegradabilidade, como ASTM D6954-4 ou SPCR 141.

"Essas normas fornecem apenas um guia para comparar taxas de degradação e alterações de propriedades físicas sob condições controladas de laboratório, não avaliando as etapas finais da degradação. Aliás, nas páginas web das próprias normas, há advertências para que não sejam usadas em certificações de biodegradabilidade de produtos plásticos comerciais," detalhou Ítalo.

A comercialização de um produto que não entrega o prometido, do ponto de vista ambiental, pode ser enquadrada como prática de "verdejamento", termo que indica falsas alegações ambientais em produtos comerciais.

"Quando um produto reconhecidamente prejudicial para o meio ambiente passa a ser maciçamente usado, é necessário que ações de Estado sejam implementadas. Nesse sentido, tramita na Câmara dos Deputados o projeto de lei 2524/2022 que, entre outras providências, veda o uso de aditivos oxidegradantes ou pró-oxidantes em resinas termoplásticas, assim como a fabricação, a importação e a comercialização de quaisquer embalagens e produtos feitos de plásticos oxidegradáveis," concluiu o pesquisador.

Bibliografia:

Artigo: High incidence of false biodegradability claims related to single-use plastic utensils sold in Brazil
Autores: Beatriz Barbosa Moreno, Beatriz Veneroso Rodrigues, Letícia Regina Afonso, Paula Christine Jimenez, Ítalo Braga Castro
Revista: Sustainable Production and Consumption
Vol.: 41, Pages 1-8
DOI: 10.1016/j.spc.2023.07.024
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