Nanotecnologia

Cientistas querem saber se a Nanotecnologia faz mal à saúde

Risco potencial

A nanotecnologia, atualmente um dos mais promissores campos da pesquisa científica e tecnológica, pode também representar um risco potencial para a saúde humana, o que deve ser cuidadosamente investigado antes que esse novo campo tecnológico atinja mais amplamente os parques industriais.

O alerta é do Dr. Günter Oberdörster, da Universidade de Rochester (Estados Unidos), que acaba de receber um financiamento de US$5,5 milhões para custear sua pesquisa nessa área.

O Dr. Oberdörster, especializado em Toxicologia, já concluiu um estudo que mostra que nanopartículas inaladas acumulam-se nas cavidades nasais, pulmões e até no cérebro de ratos.

O cientista acredita que essa deposição de material em partes tão sensíveis do corpo poderá causar inflamações e até riscos de danos ao cérebro e ao sistema nervoso. Este estudo será publicado na edição de Maio do periódico Inhalation Toxicology.

Equilíbrio

"Eu não estou pregando que devamos parar de usar a nanotecnologia, mas eu acredito que devemos continuar a olhar para seus efeitos danosos à saúde," afirma ele. "Há sessenta anos atrás cientistas mostraram que, em primatas, nanopartículas viajam através dos nervos a partir do nariz e se depositam no cérebro. Mas isso foi largamente esquecido. A diferença hoje é que existem mais nanopartículas e a tecnologia está se movendo rapidamente rumo a encontrar novos usos para elas - e nós ainda não temos respostas para questões importantes acerca do seu possível impacto à saúde."

A nanotecnologia começou a evoluir quando os cientistas descobriram como manipular moléculas de carbono, ouro e zinco para formar conjuntos microscópicos que podem ser úteis na construção de praticamente qualquer coisa em dimensões ultra-pequenas.

Já estão em desenvolvimento até mesmo equipamentos para aplicação médica, tais como equipamentos microscópicos que liberam medicamentos no local e na medida exata. Mas os cientistas já vislumbram a capacidade de terapias de radiação super-avançadas capazes de destruir tumores com absoluta precisão, sem danificar as células sadias em volta.

Rápido demais

Do outro lado, alguns cientistas acreditam que a indústria está se movendo rápido demais. É por isto que o Dr. Oberdörster irá gastar US$5,5 milhões para formar uma equipe multidisciplinar de 10 Departamentos e três Universidades diferentes para estudar com detalhes os riscos potenciais da nanotecnologia.

Os cientistas planejam testar a hipótese de que as características químicas das nanopartículas determinam como elas interagirão como células de animais e de humanos. Uma resposta celular negativa poderá representar um mal funcionamento do sistema nervoso central, propõem eles.

Os cientistas afirmam que a equipe não está se opondo radicalmente à nanotecnologia. De fato, eles esperam trabalhar junto à indústria e aos governos dos Estados Unidos e do Canadá para procurar soluções se o problema se confirmar. Outro objetivo do estudo é o desenvolvimento de um programa educacional para que futuros engenheiros e cientistas possam entender as conseqüências da nanotecnologia sobre a saúde.





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