Nanotecnologia

Perspectivas da nanotecnologia no Brasil

Perspectivas da nanotecnologia no Brasil

Há duas linhas de pesquisas quando o tema é nanotecnologia: uma real, que vem sendo desenvolvida com resultados expressivos, e outra ainda futurista, que vislumbra possibilidades difíceis até mesmo de imaginar.

"Mas, no que diz respeito à transferência de conhecimento entre universidades e indústria, a nanotecnologia é uma realidade consolidada no Brasil", disse Fernando Galembeck, professor do Instituto de Química da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), durante conferência na 58ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC).

Para Galembeck, o setor químico é um dos poucos no país em que o conhecimento científico tem conseguido gerar riqueza. "Esse é um setor que gera, domina e exporta tecnologias nacionais. E grande parte desses resultados pode ser associada aos materiais nanoestruturados", disse. Segundo ele, a indústria química brasileira hoje oscila ente a 10ª e a 12ª posição no ranking mundial de produção.

"Estima-se que só nos Estados Unidos serão gastos, até 2020, cerca de US$ 44 bilhões apenas com a produção de nanocompósitos poliméricos, sem contar outros materiais. As expectativas para o setor em todo o mundo são mais do que brilhantes, são ofuscantes", aponta o professor da Unicamp.

O pesquisador apresentou um projeto estratégico de desenvolvimento de fibras de carbono a partir de poliacrilonitrila, uma fibra acrílica utilizada na fabricação de mantas e tapetes. Em princípio, a poliacrilonitrila utilizada pelo setor têxtil não servia para fazer fibras de carbono, "mas, graças à nanotecnologia conseguimos produzir, a partir desse material acrílico, fibras de carbono para aplicação totalmente verticalizada, ou seja, desde as matérias-primas mais simples até o produto final mais sofisticado", disse.

As fibras de carbono são consideradas materiais estratégicos para o país. A Embraer, por exemplo, que utiliza largamente essas fibras em suas linhas de produção de aviões, precisa importar material.

"Como ainda não fazemos parte do clube dos grandes produtores mundiais de fibras de carbono, estamos criando competência nacional em vários pontos da cadeia produtiva. E iremos precisar de mais especialistas na área, que saibam trabalhar em prol do aumento da produtividade nanotecnológica", disse Galembeck.





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