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Projetado primeiro detector de grávitons, as partículas da gravidade

Redação do Site Inovação Tecnológica - 02/02/2026

Projetado primeiro detector de grávitons, as partículas da gravidade
Os grávitons são as hipotéticas partículas da força da gravidade. Este é o esquema do primeiro experimento do mundo projetado para detectá-los, usando barras de hélio superfluido iluminadas por laser.
[Imagem: Igor Pikovski]

Unificar relatividade com mecânica quântica

Os físicos têm um monte de problemas não resolvidos, mas um dos principais é a inconsistência entre as duas teorias de maior sucesso na Física: A teoria da relatividade geral de Einstein não bate com a mecânica quântica.

A teoria quântica descreve a natureza em termos de partículas e interações quânticas discretas, enquanto a relatividade geral trata a gravidade como algo geométrico, uma curvatura do espaço-tempo causada pela massa. Há várias ideias para unificar relatividade e mecânica quântica, sendo a mais comum delas a proposta de que a própria força da gravidade seja quântica, mediada por partículas hipotéticas apelidadas de "grávitons".

O problema é que, assim como aconteceu antes com os neutrinos, nem os físicos mais entusiasmados acreditavam haver meios práticos de detectar um gráviton.

Uma exceção é a equipe do professor Igor Pikovski, do Instituto Stevens de Tecnologia, nos EUA, que trabalha há anos com a ideia de testar a gravidade quântica em laboratório. Então, em 2024, eles acreditaram ter posto o ovo de Colombo de pé.

"Durante muito tempo, a detecção de grávitons foi considerada tão improvável que nem sequer foi tratada como um problema experimental. O que descobrimos é que essa conclusão já não se sustenta na era da tecnologia quântica moderna," defende ele.

Projetado primeiro detector de grávitons, as partículas da gravidade
Ondas gravitacionais que estejam passando pela Terra poderão permitir detectar grávitons individuais.
[Imagem: Germain Tobar et al. - 10.1038/s41467-024-51420-8]

Partículas das ondas gravitacionais

A chave desta abordagem reside em uma nova perspectiva que sintetiza dois grandes avanços experimentais recentes. O primeiro foi a detecção de ondas gravitacionais, ondulações no espaço-tempo produzidas por colisões de corpos celestes muito massivos, como buracos negros e estrelas de nêutrons, observadas pela primeira vez em 2015. Se a gravidade obedecer à física quântica, com sua partícula associada, então as ondas gravitacionais poderiam ser descritas como vastas coleções de grávitons operando em conjunto, apenas parecendo a onda clássica que parece que vemos nas observações das ondas gravitacionais.

O segundo avanço vem do que poderíamos chamar de engenharia quântica. Na última década, os físicos aprenderam a resfriar, controlar e medir sistemas cada vez mais massivos em estados quânticos genuínos, levando os fenômenos quânticos muito além da escala atômica.

O crédito do professor Pikovski é que ele se deu conta de que, se essas duas capacidades forem combinadas, então torna-se possível absorver e detectar um único gráviton: Uma onda gravitacional que passa pode, em princípio, transferir exatamente um quantum de energia (ou seja, um único gráviton) para um sistema quântico suficientemente massivo. A mudança de energia resultante é minúscula, mas pode ser detectada.

A grande dificuldade está no fato de que os grávitons quase nunca interagem com a matéria. Para ter sucesso, o experimento então exigirá levar a escala dos sistemas quânticos para a marca do quilograma, e os sistemas quânticos mais massivos já detectados hoje estão na escala dos nanogramas.

Projetado primeiro detector de grávitons, as partículas da gravidade
Já conseguimos detectar um análogo do gráviton, reacendendo o interesse na física de partículas.
[Imagem: Jiehui Liang et al. - 10.1038/s41586-024-07201-w]

Agora é só fazer maior

Com base em todas essas possibilidades, a equipe idealizou agora o primeiro experimento explicitamente projetado para detectar grávitons individuais: Um ressonador de hélio superfluido na escala de centímetros, aproximando-se do regime necessário para absorver grávitons individuais de ondas gravitacionais astrofísicas.

"Já temos as ferramentas essenciais. Podemos detectar quanta individuais em sistemas quânticos macroscópicos. Agora é uma questão de escala," disse o professor Jack Harris, parceiro do projeto.

O experimento consistirá em imergir um ressonador cilíndrico, na escala de grama, em um recipiente de hélio superfluido, resfriar tudo até seu estado fundamental quântico e usar medições a laser para detectar fônons individuais - os fônons são os quanta vibracionais nos quais os grávitons são convertidos.

O detector se baseia em um sistema que a equipe do professor Harris já construiu, mas que deverá ser reconstruído em um novo patamar, escalando a massa da escala de nanogramas para gramas sem perder a sensibilidade. Se funcionar, este protótipo se tornará o modelo para uma próxima iteração, que poderá ser escalada para a sensibilidade necessária para a detecção direta de grávitons, na faixa do quilograma, abrindo uma nova fronteira experimental para toda a Física.

Bibliografia:

Artigo: Detecting single gravitons with quantum sensing
Autores: Germain Tobar, Sreenath K. Manikandan, Thomas Beitel, Igor Pikovski
Revista: Nature Communications
Vol.: 15, Article number: 7229
DOI: 10.1038/s41467-024-51420-8

Artigo: Measuring High-Order Phonon Correlations in an Optomechanical Resonator
Autores: Y. S. S. Patil, J. Yu, S. Frazier, Y. Wang, K. Johnson, J. Fox, J. Reichel, J. G. E. Harris
Revista: Nature Communications
Vol.: 128, 183601
DOI: 10.1103/PhysRevLett.128.183601
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