Mecânica

Carros passarão a utilizar sistema elétrico de 42 volts

A maioria das pessoas já teve problemas com a bateria do carro. Ela tem uma vida útil e, de tempos em tempos, precisa ser substituída. O que alguns não sabem é que essa bateria fornece energia a uma tensão de 12 volts. Os mais vividos hão de se lembrar dos antigos fusquinhas, que possuíam baterias de 6 volts.

Agora, o salto deverá ser maior. A indústria automobilística americana acaba de formalizar um grupo de estudos para padronizar a adoção de um sistema elétrico de 42 volts. O grupo está trabalhando sob a coordenação do Conselho Norte-americano para Pesquisa Automotiva (USCAR - United States Council for Automotive Research). As preocupações alegadas são de compatibilizar os sistemas e garantir a segurança dos usuários.

O sistema atualmente utilizado é, tecnicamente, o sistema de 14 volts. Essa é a tensão que o alternador deve suprir para manter carregada uma bateria de 12 volts. O novo sistema suprirá uma tensão de 42 volts, suficiente para manter carregada uma bateria de 36 volts.

Há preocupações bastante prosaicas, como garantir que os conectores do novo sistema não sirvam para o sistema atual. Isso impedirá a conexão indevida de uma bateria de 42 volts em um veículo atual, com sistema de 12 volts. Os fusíveis dos carros de hoje são projetados para suportar picos de 24 volts. Sua ligação em um sistema com quase o dobro da tensão provocaria uma queima generalizada do circuito elétrico do carro.

Mas as preocupações dos norte-americanos não parecem ser apenas de natureza tão salutar. Acontece que a indústria japonesa já saiu na frente, projetando um sistema que facilita a conexão da bateria ao carro, diminuindo custos de montagem e facilitando a manutenção. Os americanos não gostaram nada e tentam fazer valer seus argumentos. Paul Nicastri, gerente do grupo de trabalho e engenheiro da Ford, tenta ser convicente: "Se deixarmos algo no qual as pessoas possam fazer conexões, corremos o risco de que alguém possa se machucar. Estes sistemas são de alta voltagem e podem ser letais (sic)".

Segundo a indústria japonesa, o problema da segurança pode ser resolvido com a colocação de coberturas plásticas que impeçam conexões incorretas. Segundo Nicastri, os japoneses não são contrários ao trabalho do grupo norte-americano, mas eles estão muito adiantados e já estão trabalhando na adaptação de suas linhas de montagem. "Nós estamos muito atrasados para eles", lamenta o engenheiro. A expectativa é que o grupo americano possa influenciar a adoção do novo sistema pelos fabricantes europeus, além, obviamente, dos norte-americanos.

O trabalho principal da padronização consiste na busca de componentes que sejam intercambiáveis, independentemente do fabricante. A especificação desses componentes, como fios, cabos, lâmpadas, relés e fusíveis, está sendo desenvolvida por engenheiros do MIT (Massachusetts Institute of Technology). A idéia é que o sistema de qualquer fabricante possa dar a partida tanto num Mercedes, quanto num Ford, ou em qualquer outra marca.


Por quê mudar?

A preocupação é com a crescente demanda de energia elétrica dos carros. À medida em que ítens de conforto são adicionados, cresce a necessidade de energia do sistema. Vidros elétricos, bancos elétricos e com aquecimento, desembaçadores, pilotos automáticos, sistemas de navegação, GPS, enfim, uma parafernália de equipamentos que está deixando o sistema de 12 volts obsoleto. Este sistema é capaz de suprir apenas entre 1 e 2 kilowatt/hora. Segundo os engenheiros, um sistema de 42 volts estará mais adequado para atender a esta crescente demanda de energia.

O maior apelo contudo, é a economia de combustível. Um estudo da consultoria Standart & Poor's estima que a economia pode chegar facilmente a 10%, sem nenhum investimento adicional. O apelo do ecologicamente correto vem a reboque dessa economia, com a conseqüente redução da emissão de CO2. Restam ainda os apelos da possibilidade de adoção de novas tecnologias: o sistema de resfriamento do motor, e o ar-condicionado, por exemplo, poderão passar a ser totalmente elétricos, representando menor carga sobre o motor. As válvulas também poderão ter controle elétrico mais preciso, melhorando o controle da emissão de gases. Até mesmo um sistema que desliga o motor automaticamente durante períodos de parada, como em semáforos, por exemplo, poderá ser adotado.

A economia deverá aparecer também pelo lado das montadoras. Uma tensão mais alta significará uma corrente mais baixa, resultando em fios e cabos de menor espessura e componentes eletrônicos menores, já que eles dissiparão menor calor.

Investimentos

A mudança deverá começar de fato a partir de 2.002, começando dos modelos de maior valor, maiores usuários dos ítens de conforto que demandam maior energia. Mas a adoção será rápida. Isso exigirá total dedicação dos fornecedores da indústria automobilística, que deverão alterar significativamente seus produtos, como motores, aquecedores, conversores e toda a alimentação da eletrônica embarcada.





Outras notícias sobre:

Mais Temas