Mecânica

Empresa substituirá o óleo por biodiesel em suas locomotivas

A empresa América Latina Logística (ALL), iniciou testes para a adoção do biodiesel em sua frota de trens no Brasil. A empresa calcula que o projeto, inédito no setor, poderá reduzir em até 20% a emissão de poluentes sem que haja qualquer alteração no desempenho das locomotivas.

Segundo o diretor da empresa, Sérgio Pedreiro, a expectativa é substituir até 25% do diesel derivado de petróleo nas 380 locomotivas da ALL que operam no país, até julho deste ano. A empresa opera 15 mil quilômetros de malha ferroviária na Região Sul do Brasil, além da malha argentina.

O novo combustível derivado do álcool etílico e do óleo de soja está sendo testado em parceria com o Laboratório de Desenvolvimento de Tecnologias Limpas (Ladetel), da USP. Os testes práticos deverão abranger um trecho de 400 quilômetros entre São Paulo e Paraná.

Segundo Pedreiro, a ALL quer que pelo menos 35 milhões dos 150 milhões de litros de óleo diesel consumidos anualmente pela empresa sejam substituídos pelo biodiesel. "Começamos com a ferrovia, que consome 80% do diesel adquirido pela companhia, mas a intenção é levar o projeto também para a frota rodoviária, que é de três mil veículos, entre próprios e agregados".

Formado por um composto de ésteres de óleos vegetais, resultado de uma reação química entre óleos vegetais e o álcool etílico ou metílico, o biodiesel já é largamente usado na Europa e vem rapidamente ganhando espaço nos EUA. Além de ser uma solução ambientalmente correta - queima de forma limpa, reduz a emissão de gás carbônico na atmosfera, é biodegradável e 100% renovável -, o biodiesel possibilita menor dependência de derivados de petróleo do mercado internacional.

No Brasil, além das experiências com óleo de soja, estão sendo testados, entre outros, os óleos de amendoim, algodão, girassol, milho, canola e mamona. O principal desafio do projeto será viabilizar uma escala de produção para atender a demanda da ALL, diz Sérgio Pedreiro.

O governo federal trabalha com a meta de substituição gradativa de 2% a 5% do diesel mineral, derivado do petróleo, pelo renovável. O Brasil deverá consumir 40 bilhões de litros do produto mineral em 2004, dos quais 15% deverão ser importados.





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