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Cresce interesse de capitalistas de risco em empresas nascentes

O total de investimentos em capital de risco em empresas nascentes cresceu 148%, indo de R$ 37 milhões no primeiro semestre de 2002, para R$ 92 milhões no mesmo período de 2003. É o que revela a nova pesquisa da Associação Brasileira de Capital de Risco (ABCR), realizada em parceria com a Thomson Venture Economics. Apoiado pela FINEP, o estudo é o terceiro já realizado pela ABCR.

Para Robert Binder, Diretor Executivo da ABCR, o crescimento do volume investido em empreendimentos em estágio inicial (start up) representa um salto qualitativo na indústria nacional de capital de risco. "Vejo como um sinal de amadurecimento o fato de investidores, em um momento econômico adverso, estarem dispostos a assumir os riscos inerentes a uma aplicação em empresas ainda nascentes", afirma. Nesse estágio, a possibilidade do empreendimento não dar certo é relativamente grande, mas, devido ao grande potencial de crescimento, os lucros tendem a ser maiores.

No primeiro semestre de 2002, os investidores foram mais conservadores e dirigiram a maioria dos investimentos a empresas em expansão. Esses empreendimentos, já consolidados no mercado, receberam R$ 237 milhões, o que representava 87% do mercado. Empresas em estágio inicial ficaram com apenas 13% do total investido no período, cerca de R$ 37 milhões. Em contraste, durante o primeiro semestre de 2003, as empresas em expansão ficaram com apenas 31% do mercado, R$ 68 milhões, enquanto empresas em estágio inicial captaram R$ 92 milhões, 42% do montante investido. Para o progressivo amadurecimento do mercado, conclui Binder, "foi fundamental a atuação da FINEP, que há três anos promove ações de apoio ao mercado de capital de risco no Brasil".

Segundo a pesquisa da ABCR, a média nacional de investimentos em capital de risco por empresa aumentou de R$ 9 milhões para R$ 10 milhões. São Paulo continuou como o principal destino das aplicações, com 46% do total. O estado é sede de nove empresas que receberam aproximadamente R$ 101 milhões. Duas empresas do Paraná, estado que ficou em segundo lugar, receberam aportes de R$ 62 milhões (28%), enquanto sete companhias no Rio de Janeiro, terceiro colocado, receberam R$ 48 milhões (22%).

A indústria de transportes recebeu mais da metade dos investimentos em capital de risco no Brasil durante o primeiro semestre de 2003. Essas companhias obtiveram R$ 129 milhões, 56% do mercado total. O maior montante foi aplicado na Gol Transportes Aéreos de São Paulo, que recebeu R$ 70 milhões. A América Latina Logística S.A., uma operadora de ferrovias no Sudeste, recebeu R$ 59 milhões, segundo maior investimento do período.

O setor industrial e de energia também se destacou. Foram investidos na área R$ 45 milhões, ou 21% do mercado. Em terceiro lugar ficou o setor de biotecnologia, que recebeu investimentos de R$ 20 milhões, 9,2% do total. A indústria relacionada a computadores continuou em queda. Apenas R$ 2,4 milhões foram investidos em empresas de Internet e software.





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