Robótica

Água-viva robô procura peixes bioluminescentes

Discrição e honestidade

Utilizando uma água-viva como isca e um sistema inovador de câmeras, pesquisadores do Laboratório Oceanográfico Harbor Branch (Estados Unidos) esperam revelar pela primeira vez a vida nas profundezas do mar, em sua forma original, sem a intromissão da iluminação e dos sons que foram parte integrante das pesquisas semelhantes já feitas. Durante toda esta semana (02 a 05 de Setembro) a equipe utilizará a isca nas profundezas da Baía de Monterey, na Califórnia.

"Nós esperamos fazer observações discretas e honestas, o que realmente não tem acontecido no oceano," afirma a Dra. Edith Widder, coordenadora do projeto. "Em última instância, o objetivo é ver animais ou comportamentos que ninguém nunca viu antes." O equipamento será lançado a uma profundidade de 700 metros.

Como observar as profundezas do mar

O mar profundo forma cerca de 78% do volume habitável do planeta, mas pouco se conhece da maioria dos seus habitantes, mais da metade dos quais possui bioluminescência, ou seja, é capaz de emitir sua própria luz.

Essa deficiência científica advém não apenas da falta de exploração e estudo dos oceanos, mas também dos métodos até agora utilizados, longe do ideal científico.

Redes de profundidade destroem ou danificam animais sensíveis, a ponto de não ser possível observar seu comportamento natural em laboratório.

Submersíveis e veículos operados remotamente, por sua vez, não atingem os objetivos porque as luzes, motores e campos elétricos gerados pelos equipamentos fazem com que se observe mais mecanismos de fuga do que o comportamento natural dos animais. Sem contar que a maioria foge muito antes que sejam alcançados pelas câmeras ou pelo campo de visão dos pesquisadores.

Olhar no mar

Para resolver esses problemas, os cientistas desenvolveram um novo sistema de câmeras para registrar a vida no mar profundo de maneira não-invasiva para os animais.

Chamado de "Olho no Mar", o sistema foi projetado para operar automaticamente no fundo do mar e, mais importante, de forma imperceptível para os animais.

O sistema pode detectar animais tão logo eles ativem sua bioluminescência. Nesse momento, o sistema liga a câmera de vídeo para o registro das imagens e aciona uma luz vermelha em uma faixa do espectro que não é visível pelos animais. A luz os ilumina para que seja possível filmá-los, mas sem que eles percebam.

O sistema pode também ser configurado para filmar o ambiente em volta a intervalos determinados, por exemplo, quando a equipe coloca o sistema no fundo mar ao lado de uma caixa com iscas para atrair animais. As filmagens no fundo do oceano até agora feitas utilizavam fortes luzes que, para animais acostumados com escuridão total, atuavam como um fator de afugentamento.

Água-viva robô

O Olho no Mar já foi submetido a testes iniciais. Mas agora os pesquisadores querem dar um passo a mais, colocando o equipamento de captura de imagens ao lado de uma água-viva robô, um equipamento eletrônico que imita os vários padrões de bioluminescência de uma espécie de água-viva chamada Atolla.

A água-viva robô consiste em um disco de cerca de 15 centímetros de diâmetro, com um anel de LEDs azuis em sua borda. Esse anel de LEDs pode ser programado para criar os padrões de iluminação do animal real.

A Dra. Wider espera que a isca-robô permita testar várias hipóteses sobre como e por quê os animais utilizam sua bioluminescência. Por exemplo, quando assustadas, as águas-vivas algumas vezes respondem criando uma onda circular de luz ao redor de seu corpo.

A cientista chama esse comportamento de "alarme contra ladrões" e teoriza que as águas-vivas utilizam a iluminação para atrair animais grandes que podem comer aqueles que a estão atacando.

Para testar esta e outras teorias, os pesquisadores colocarão o Olho no Mar próximo a uma caixa de iscas, juntamente com o robô, que será programado para produzir vários padrões de iluminação. Eles então observarão como os animais na área respondem à sinalização do robô. O comportamento do robô também poderá atrair animais grandes para a área, que poderão então ser filmados.





Outras notícias sobre:

    Mais Temas