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Brasil precisa se esforçar para manter liderança em energia renovável

"O Brasil tem uma posição muito privilegiada em termos de suprimento de energia. Mas essa posição será perdida se não houver um esforço de pesquisa para aumentar a participação das energias renováveis na matriz energética."

A afirmação foi feita por Cylon Gonçalves da Silva, professor do Instituto de Física da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) durante o BIOEN Workshop on Molecular Mechanisms of Photosynthesis, promovido pelo Programa FAPESP de Pesquisa em Bioenergia.

Mecanismos da fotossíntese

"No Estado de São Paulo, em particular, um terço da energia é proveniente de fontes renováveis. Para 40 milhões de habitantes, temos uma situação energética que muitas economias avançadas apenas sonham em ter um dia. Mas se trata de uma vantagem temporária", disse.

"À medida que a economia cresce e a demanda aumenta, a pressão para o uso de combustíveis fósseis também se eleva. A menos que consigamos acompanhar essa demanda com o crescimento do uso de fontes renováveis, a situação tende a se degradar", destacou o também presidente da Ceitec.

Segundo ele, há muitos desafios a serem enfrentados para que o problema da energia seja resolvido, entre eles a compreensão dos mecanismos da fotossíntese.

"Sabemos que estudar e entender os mecanismos atômicos e moleculares da fotossíntese é um projeto a longo prazo. Mas, no Brasil, queremos alavancar nossa posição para fortalecer a pesquisa básica para a bioenergia. Não há dúvida de que essa pesquisa fundamental passa pelo conhecimento daqueles mecanismos", afirmou.

Desafio energético

O BIOEN-FAPESP, segundo Gonçalves da Silva, é um projeto de longo prazo cujo objetivo é construir, no Brasil, uma comunidade de pesquisa forte e focada no problema da energia.

"Mesmo que não tivéssemos o desafio energético, a busca pela compreensão das reações de fotossíntese seria, por si só, um programa científico fascinante. Nunca devemos perder essa perspectiva em relação ao BIOEN, que a FAPESP estabeleceu para atuar a longo prazo", afirmou.

O cientista destacou que o uso dos combustíveis fósseis não deverá terminar tão cedo e que pode causar mudanças radicais na atmosfera, com consequências catastróficas. Por isso, é preciso pesquisar e buscar alternativas.

"Trata-se de um problema com uma magnitude incrível. O watt mais barato, em termos de investimento de capitais, custa hoje pelo menos US$ 1. Isso significa que precisamos de US$ 1 trilhão para cada terawatt. Portanto, além de um lindo desafio do ponto de vista de pesquisa básica, temos pela frente um terrível desafio do ponto de vista prático", afirmou.

Bioenergia

Glaucia Mendes de Souza, professora do Instituto de Química da Universidade de São Paulo (USP) destacou a importância do evento.

"Procuramos reunir, nesses workshops, pesquisadores e especialistas que possam resolver alguns dos principais desafios da pesquisa relacionada à bioenergia - e a fotossíntese é um desses desafios em torno dos quais precisamos organizar a comunidade científica", disse.

"O BIOEN, que teve início em 2008, tem cerca de 60 projetos em andamento e R$ 65 milhões já foram empregados", destacou. O programa tem cinco divisões: Biomassa para bioenergia; Processo de fabricação de biocombustíveis; Biorrefinarias e alcoolquímica; Aplicações de etanol para motores automotivos; Pesquisa sobre impactos socioeconômicos, ambientais e uso da terra.

"Estamos tentando trazer para a pesquisa sobre cana-de-açúcar uma abordagem da biologia de sistemas. Queremos novas tecnologias e novas disciplinas no campo de melhoramento da planta. Um dos objetivos é aprimorar a tecnologia para melhorar a cultura de cana. Estudamos também, por exemplo, as tecnologias de processos e os impactos socioeconômicos do mercado e da sociedade baseada em bioenergia", destacou.





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