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Colaboração com empresas aumenta produtividade acadêmica

Com informações da Agência Fapesp - 04/05/2019


Ganhos mútuos

A interação entre universidades e empresas no Brasil, além de ter impactos sociais, econômicos e ambientais, também exerce efeitos positivos na produtividade acadêmica: Pesquisadores e grupos de pesquisa que se engajam em colaborações com o setor produtivo são cientificamente mais produtivos, ou seja, o impacto intelectual e científico da parceria é positivo.

A constatação está baseada em entrevistas com 1.005 pesquisadores com interações com o setor produtivo, coordenada por Renato de Castro Garcia (Unicamp). Juntamente com Márcia Rapini (Universidade Federal de Minas Gerais) e Sílvio Cário (Universidade Federal de Santa Catarina), eles sintetizaram o assunto em um livro que está disponível gratuitamente.

"Dividimos os pesquisadores entre aqueles que interagiram mais e os que interagiram só uma vez com o setor produtivo. Descobrimos que os fatores comerciais são importantes para os dois grupos. Porém, aqueles que têm uma interação mais constante dão mais importância para os benefícios intelectuais, como novas ideias para projetos ou publicações de artigos, por exemplo," disse Renato.

Inovadores tradicionais

A professora Márcia Rapini destaca que o perfil das empresas que interagem com o setor acadêmico não é o que se espera com base no exemplo de outros países: "No Brasil, os setores que interagem com as universidades muitas vezes não são aqueles considerados intensivos de ciência, que estariam próximos da fronteira do conhecimento, como o setor eletrônico, o farmacêutico e o aeroespacial, por exemplo."

De acordo com a pesquisadora, um exemplo está em Minas Gerais, onde mineração e siderurgia se destacam na interação com as universidades. "São setores tradicionais, consolidados e que estão focados na exportação. Observamos casos como esse em todos os estados brasileiros," disse.

Outra constatação do estudo é que a interação ocorre em empresas que têm área de pesquisa e desenvolvimento interna. "Quando a empresa gera conhecimento dentro dela, tende a buscar interações com as universidades. Já a que apenas sobrevive não gera conhecimento. Isso foi um aprendizado, se a empresa não quer, não adianta. Se não tem demanda básica, não tem interação," disse Márcia.

Já nas áreas em que é possível fazer pesquisa aplicada e publicar artigos, a interação é mais óbvia. "Existem áreas em que as parcerias ocorrem, pois sem interagir com a indústria, empresas ou fazendas produtivas, o pesquisador não consegue fazer pesquisa ou saber se o produto desenvolvido pode ser produzido em escala, nem se é economicamente viável," disse.

Interação universidade-empresa no Brasil

Os três pesquisadores sintetizaram o tema de seu estudo em um livro intitulado Estudos de caso da interação universidade-empresa no Brasil. Disponível gratuitamente on-line, o livro mostra resultados de estudos realizados em vários países sobre interação universidade-indústria.

O livro conta com três níveis de análise: estudos setoriais, áreas do conhecimento e estudos de empresas.

"O livro foi viabilizado por uma equipe que trouxe casos da realidade de cada estado. Alguns capítulos analisam setores não tradicionais da interação universidade-indústria. Obtivemos resultados diferentes dos relatados em outros estudos internacionais, mais ancorados em países desenvolvidos. Aprendemos sobre a nossa realidade," disse Márcia.

O livro mostra ainda que o foco excessivo na cooperação com empresas pode levar centros de pesquisa a ignorar oportunidades de fazer parcerias com outros setores, como ONGs e o setor público (prefeituras ou secretarias). "Essas parcerias podem ter um impacto econômico e social muito grande para países em desenvolvimento e devem ser valorizadas," finalizou a pesquisadora.

Bibliografia:

Artigo: How the Benefits, Results and Barriers of Collaboration Affect University Engagement with Industry
Autores: Renato Garcia, Veneziano Araújo, Suelene Mascarini, Emerson G. Santos, Ariana R. Costa
Revista: Science and Public Policy
Vol.: scy062
DOI: 10.1093/scipol/scy062






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