Redação do Site Inovação Tecnológica - 12/05/2026

Computação controlada por luz
Os computadores do futuro rodarão literalmente à velocidade da luz: Pulsos de luz extremamente curtos acabam de ser usados para realizar operações lógicas ultrarrápidas.
Francesco Gucci e colegas de uma colaboração internacional deram um passo importante rumo ao desenvolvimento de uma nova geração de tecnologias de processamento de informação, de centenas a milhares de vezes mais rápidas do que as que temos atualmente.
Ao contrário da eletrônica tradicional, baseada no movimento dos elétrons, essa abordagem inovadora manipula o estado dos elétrons na matéria por meio da oscilação da luz.
"Demonstramos que a luz pode ser usada não apenas para transmitir informações, mas também para processá-las. Com o uso de pulsos de laser ultracurtos, podemos controlar os estados quânticos da matéria em escalas de tempo de alguns milionésimos de bilionésimo de segundo: Ou seja, nas mesmas frequências das oscilações da luz, velocidades até então desconhecidas na eletrônica," disse o professor Giulio Cerullo, do Instituto Politécnico de Milão, na Itália.
Na demonstração do conceito, as operações foram realizadas a taxas acima de 10 terahertz, mais de cem vezes mais rápidas do que os melhores dispositivos eletrônicos modernos. E isto não é o limite máximo.
Outro detalhe importante é que tudo foi feito à temperatura ambiente e utilizando pulsos de luz já disponíveis rotineiramente nos laboratórios. O experimento também permite medir por quanto tempo essa informação quântica permanece estável no material físico, um aspecto crucial para futuras aplicações tecnológicas.

Valetrônica
O avanço foi possível graças às propriedades físicas de um semicondutor bidimensional, o dissulfeto de tungstênio (WSe2), que possui apenas três camadas atômicas de espessura.
Devido aos fenômenos quânticos associados a esse filme nanométrico, os elétrons podem ocupar dois estados quânticos distintos dentro dele, conhecidos como "vales". Esses vales podem ser usados como uma nova unidade de informação, semelhante aos zeros e uns dos computadores tradicionais, mas muito mais rápida de controlar. Essa abordagem inovadora é conhecida como valetrônica - a valetrônica faz uma ponte da eletrônica com a computação quântica.
Usando uma sequência precisa de pulsos de laser com duração de apenas alguns femtossegundos (milionésimos de bilionésimo de segundo), os pesquisadores conseguiram ativar, desativar e expandir seletivamente a informação quântica, realizando operações lógicas semelhantes às feitas pelos circuitos eletrônicos, só que em velocidades imensamente maiores.
"Olhando para o futuro, esta prova de princípio indica uma série de novos desafios científicos e tecnológicos que precisamos superar para produzir dispositivos competitivos baseados neste princípio: Desde a criação de sequências de pulsos cada vez mais complexas até a possibilidade de aumentar o número de bits em dispositivos viáveis," disse o professor Franco Camargo, do Instituto de Fotônica e Nanotecnologias da Itália.
À medida que essas barreiras forem sendo superadas, os caminhos se abrirão para uma nova classe de componentes lógicos ultrarrápidos, que formarão os computadores do futuro.