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Controle estrangeiro do setor sucroalcooleiro deve se acentuar

Etanol estrangeiro

Já não é mais tão fácil falar em "etanol brasileiro", ou "indústria brasileira de biocombustíveis".

Pelo menos não se o critério adotado for o do controle da produção de etanol.

Um dos setores mais dinâmicos da economia brasileira, o setor sucroalcooleiro conta hoje com 430 usinas em operação, distribuídas entre 180 grupos empresariais.

Mas há um forte movimento de aquisição das usinas por empresas estrangeiras.

E esse movimento deverá se manter nos próximos anos.

É o que revela uma pesquisa realizada por Mairun Junqueira Alves Pinto, na USP de Ribeirão Preto.

Participação estrangeira nos biocombustíveis

Marun analisou a trajetória dos investimentos internacionais no setor sucroenergético no Brasil desde 2000.

Além do levantamento de negociações, ele entrevistou especialistas que atuam no setor, incluindo representantes de empresas estrangeiras.

Os entrevistados foram unânimes em afirmar que as empresas petrolíferas e as indústrias químicas, petroquímica e de biotecnologia, que possuem tecnologia para agregar valor ao negócio, deverão ser as principais compradoras no futuro próximo.

"Esse trabalho foi um mapeamento do setor, mostrando os diferentes ciclos de aquisições e um histórico de quem são essas empresas e o que as motivou a investir no País", explica Marun.

Atratividade

O trabalho buscou analisar e a evolução do processo de transferência do controle acionário e identificar quais os tipos de empresas estrangeiras realizaram os investimentos diretos no setor, quais suas principais motivações e quais fatores influenciam as decisões quanto às estratégias de entrada.

O pesquisador abordou as transformações em relação aos investimentos estrangeiros em usinas brasileiras, diferentes ciclos de desenvolvimento e crise, conquista de novos mercados e desenvolvimento de novos produtos.

Apesar dessas mudanças de cenário, típicas do setor, ele verificou a capacidade de atrair empresas estrangeiras de diversos países e setores da economia.

Desde o início do século 21, o setor recebeu entrada forte de capitais de empresas estrangeiras, de diferentes segmentos, desde tradings companies, do setor açucareiro, petrolíferas, petroquímicas, biotecnológicas e de fundos de investimentos.

Ciclos do etanol

Foram identificados três ciclos distintos de entradas dessas empresas internacionais.

O primeiro foi marcado pelo processo de desregulamentação do setor e emergências das exportações brasileiras de açúcar, com as entradas de quatro empresas francesas, entre 2000 e 2001: duas trading companies (Louis Dreyfus Commodities e Sucden) e duas cooperativas agroindustriais produtoras de açúcar de beterraba (Union DAS/Tereos e Béghin-Say).

De forma bastante interessante, essas são controladoras interessadas no mercado de açúcar, e não no mercado de energia, e seus investimentos se deram em um momento no qual o etanol brasileiro ganhava visibilidade internacional.

Não houve investimentos estrangeiros nos quatro anos seguintes.

Mas em 2006 verificou-se o segundo ciclo, com a necessidade do mercado internacional em etanol. Aumentou o número de empresas e de setores (petrolíferas, petroquímicas, entre outras), com 18 movimentações de investimentos diretos entre 2006 e 2008 no País.

A crise econômica mundial no segundo semestre de 2008, no entanto, conteve essa euforia.

"Essa crise espantou os 'aventureiros'", afirma Marun. Ou seja, as que buscavam algum tipo lucro a curto prazo afastaram-se, ficando as que vislumbravam um negócio a longo prazo.

Assim, o terceiro ciclo teve entrada mais lenta. Em 2009, a Shree Renuka, a maior produtora de açúcar da Índia, foi a única estrangeira a realizar os primeiros investimentos diretos no setor. Em 2010, houve apenas a entrada da trading suíça Glencor e, até julho de 2011, a produtora de grãos argentina Los Grobo e a petrolífera Royal Dutch Shell, com sede na Holanda, foram as únicas entrantes do ano.

Tendência

Os efeitos do investimento estrangeiro podem ser melhor mensurados pela capacidade de moagem das usinas controladas por capital não brasileiro, que saltaram de 7%, em 2008, para 14%, em 2009, 22%, em 2010, e, finalmente, 32% em 2011.

O trabalho do pesquisador analisou ainda as estratégias dos investidores, que na maioria das vezes optaram por comprar usinas, ou com controles compartilhados, e não montar novas indústrias.

O estudo conclui que, para os próximos anos, empresas petrolíferas (com forte poder financeiro), petroquímicas e de biotecnologia estrangeiras devem dominar as aquisições no setor.





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