Com informações do ESO - 05/06/2026

Magnetismo em exoplanetas
Astrônomos identificaram as pistas mais convincentes obtidas até agora de que alguns planetas fora do nosso Sistema Solar podem ser magnéticos.
Imagens obtidas com os telescópios VLT (Chile) e Gemini Norte (Havaí) permitiram medir as velocidades dos ventos em sete exoplanetas muito quentes, todos eles mais ou menos do tamanho de Júpiter. Os ventos registrados são muito provavelmente influenciados por campos magnéticos.
O campo magnético da Terra influencia a nossa atmosfera de maneiras complexas e é, por isso, um fator determinante para compreendermos como é que o nosso planeta é capaz de suportar vida. Existem também campos magnéticos em outros planetas do Sistema Solar, como Júpiter e Saturno. No entanto, ninguém tinha conseguido confirmar a ação do magnetismo em planetas fora do Sistema Solar.
"Esta descoberta abre uma nova janela na investigação de exoplanetas. Trata-se da primeira vez que é possível comparar os ambientes magnéticos de outros mundos, um passo fundamental para, em última análise, compreender quais os planetas que podem manter-se habitáveis, conservar a sua água e, talvez, um dia, abrigar vida tal como a conhecemos," disse Julia Seidel, do Observatório de Côte d'Azur, na França.

Ventos estranhos
A equipe não tinha como objetivo inicial medir campos magnéticos, mas sim observar as atmosferas dos exoplanetas. Para isso eles mediram as velocidades do vento em sete exoplanetas que orbitam estrelas diferentes. São gigantes gasosos, como Júpiter, só que situados muito próximos das suas estrelas, o que significa que eles são muito quentes, e ainda apresentam um acoplamento de maré, ou seja, têm a rotação sincronizada com a órbita.
Tal como nós vemos apenas um lado da Lua, esses planetas "travados" mantêm sempre uma face voltada para a sua estrela, o que resulta em um lado diurno escaldante e um lado noturno gelado. Essa diferença de temperaturas dá origem a um clima muito diferente do existente na Terra, com a criação de ventos tremendamente fortes. As velocidades dos ventos nos exoplanetas observados variam entre cerca de 7.200 km/hora e mais de 25.000 km/hora. Para comparação, em Júpiter os ventos mais rápidos atingem velocidades de cerca de 1.500 km/hora.
A surpresa foi que a velocidade dos ventos varia em função da temperatura de cada planeta, mas com um padrão intrigante: Quanto mais quente o planeta, mais lento o vento. "Este resultado é totalmente contraintuitivo porque, em condições iguais, os planetas quentes dispõem, naturalmente, de mais energia para acelerar os ventos! Assim, suspeitamos que algo deveria estar acontecendo para fazer com que a velocidade dos ventos fosse menor nos planetas mais quentes," ponderou Vivien Parmentier, membro da equipe.

Auroras
Os astrônomos analisaram todos os dados e concluíram que a explicação mais plausível para esses ventos anômalos deve estar, muito provavelmente, na presença de campos magnéticos globais, já que esses campos podem funcionar como um amortecedor, abrandando o movimento das partículas carregadas na atmosfera. Os dados permitiram até mesmo estimar a intensidade do campo magnético em cada um dos planetas estudados, que é comparável à dos campos encontrados no nosso Sistema Solar: Aproximadamente quatro vezes mais forte do que o de Saturno, e cerca de metade da intensidade do campo magnético de Júpiter.
Campos magnéticos tão intensos devem afetar mais do que apenas os ventos nesses planetas distantes. "Na Terra, conhecemos a beleza das auroras boreais e austrais, onde partículas carregadas do Sol colidem com o nosso campo magnético e são guiadas para os pólos, colidindo com gases na atmosfera para produzir espetáculos coloridos de verde, rosa e roxo," explicou Bibiana Prinoth, membro da equipe.
Nos exoplanetas estudados, as auroras induzidas magneticamente podem ser ainda mais espetaculares. A equipe pretende confirmar isso quando da entrada em operação do supertelescópio ELT, que ajudará a caracterizar não só exoplanetas grandes, mas também os menores, como a Terra, possivelmente até detectando gases que possam produzir auroras nesses mundos distantes.