Redação do Site Inovação Tecnológica - 15/05/2026

Cometa Eilmer de Malmesbury
O mais famoso de todos os cometas, o cometa Halley, parece ter sido batizado com o nome errado.
Acontece que o cometa já havia sido identificado como um objeto repetitivo séculos antes de o astrônomo britânico Edmond Halley ser apontado como seu descobridor e lhe dar o nome.
Michael Lewis, do Museu Britânico, e Simon Zwart, do Observatório Leiden, descobriram que o cometa havia sido documentado e caracterizado no século XI.
A prova está em relatos escritos pelo historiador do século XII, William de Malmesbury, que documentou que o monge Eilmer de Malmesbury, também conhecido como Aethelmaer, testemunhou o cometa em duas aparições distintas e compreendeu que se tratava de eventos interligados.
Mas foi Edmond Halley (1656-1742) quem ficou famoso por descrever a natureza periódica do cometa brilhante hoje oficialmente chamado de 1P/Halley. O astrônomo concluiu que os cometas registrados em 1531, 1607 e 1682 eram, na verdade, o mesmo objeto, retornando aproximadamente a cada 76 anos - a descrição de Halley foi feita em 1696, mais de meio milênio depois da descrição original de Aethelmaer.
De fato, o aparecimento do cometa em 1066 atraiu a atenção de grande parte do mundo, havendo registros históricos mostrando que ele foi observado na China por mais de dois meses. Embora o cometa tenha atingido o brilho máximo em 22 de abril de 1066, ele só se tornou visível na Ilhas Britânicas em 24 de abril.

Halley e Hubble
O cometa tornou-se um dos símbolos mais famosos associados ao ano de 1066 e aparece até mesmo na Tapeçaria de Bayeux, a obra de arte medieval que retrata a conquista normanda da Inglaterra.
Mas a nova pesquisa encontrou referências a avistamentos do cometa em cinco ocasiões durante os séculos em questão - naquela época, os cometas eram amplamente vistos como avisos de desastres, sendo que os reis deviam ser prontamente avisados.
Por volta de 1066, Eilmer (ou Aethelmaer) de Malmesbury provavelmente já era um homem idoso. Ao ver o cometa retornar, ele teria percebido que já havia testemunhado o mesmo objeto décadas antes, em 989. Como era comum durante a Idade Média, o rei foi avisado de que o cometa sinalizava uma catástrofe iminente.
A conclusão dos dois pesquisadores é que a história agora questiona se o cometa deve continuar carregando o nome de Halley, já que ao menos um observador anterior já havia reconhecido suas aparições repetidas vezes séculos antes do trabalho de Halley.
Não é a primeira injustiça na história da ciência. Em um caso muito mais recente, o também monge Georges Lemaitre descobriu a expansão do Universo, mas a descoberta até hoje continua sendo atribuída a Edwin Hubble.