Redação do Site Inovação Tecnológica - 14/05/2026

Metapropulsão
Chegar ao sistema estelar mais próximo do Sistema Solar, Alfa Centauro, levaria centenas de milhares de anos usando a tecnologia atual de propulsão de foguetes.
Mas a mesma viagem pode ser feita em cerca de 20 anos de acordo com Kaushik Kudtarkar e colegas da Universidade Texas A&M, nos EUA.
Kudtarkar usou os famosos metamateriais para criar uma nova abordagem para o movimento impulsionado pela luz, mostrando que lasers podem ser usados não apenas para impulsionar, mas também para direcionar objetos em múltiplas direções sem contato físico.
A ideia de enviar nanonaves, ou nanossondas espaciais, para pesquisas interplanetárias não é nova. Já existe até um projeto para isso, chamado Starshot, e as primeiras nanonaves que rumarão às estrelas já estão em testes.
Mas a inovação apresentada agora pode simplificar tudo, tornando as naves mais versáteis e, quem sabe, um pouco mais promissoras do que simples sensores em formato de cartão de crédito.
A equipe já está em busca de financiamento para estender seus testes de laboratório a ambientes de microgravidade, onde a propulsão movida a luz poderá ser estudada em condições mais realísticas, sem as restrições da gravidade.

Propulsão de energia dirigida
O conceito é conhecido como propulsão de energia dirigida, uma tecnologia que pretende usar lasers gigantescos na Terra para atuarem como propulsores à distância, empurrando as naves por meio da força de radiação da luz.
A tendência mais recente tem sido deixar lado os métodos originários, baseados em moldar o próprio feixe de luz, e incorporar o controle diretamente no material da nave que receberá o feixe de luz. Isso permite uma geração de força mais flexível e, provavelmente, o uso de naves maiores. A força também passa a depender da potência da luz, e não do tamanho da nave, o que significa que os mesmos princípios poderão ser aplicados em sistemas maiores.
Para isso, as superfícies refletoras, que estão na base do princípio mais geral das velas de luz, são substituídas por metamateriais, materiais artificiais com capacidades projetadas para lidar com as ondas de luz de modo que nenhum material natural consegue.
Esses materiais artificiais ultrafinos - também conhecidos como metassuperfícies e metalentes - são projetados com padrões minúsculos que permitem controlar o comportamento da luz, de modo semelhante ao que uma lente comum faz, mas em uma escala muito menor e mais precisa, criando o que os pesquisadores chamam de metajatos de propulsão. Ao projetar cuidadosamente essas nanoestruturas, a equipe conseguiu controlar como a luz transfere momento para um objeto, permitindo que ele se mova.
A estrutura demonstrou manobrabilidade tridimensional completa, uma capacidade nunca antes alcançada em sistemas de propulsão óptica.