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e-Ciência, o jeito informatizado de fazer ciência

Montanhas de dados

"A e-Science lida com a 'montanha' de informações geradas pelos equipamentos científicos modernos, que possuem grande poder de processamento e geram uma enorme quantidade de dados impossível de ser tratada sem o apoio de ferramentas computacionais."

Quem explica é Roberto César Júnior, pesquisador da Universidade de São Paulo (USP) e um dos organizadores de um evento internacional realizado nesta semana em Campinas.

O encontro, reunindo pesquisadores de 19 países, teve como foco a disseminação da e-Ciência, ou "ciência eletrônica", aplicada à área de bioenergia.

O novo conceito de fazer ciência, inteiramente baseada em ferramentas computacionais, incorpora modelagens matemáticas, análises estatísticas e ferramentas de visualização de dados que possibilitam lidar e integrar grandes volumes de informação provenientes de diferentes áreas do conhecimento.

A abordagem informatizada da ciência, ou e-Science, envolve outros termos como big data (grande volume de dados) e data deluge (dilúvio de dados).

Aprender a fazer perguntas

Antes que a ciência informatizada possa começar a render frutos, porém, vários desafios precisam ser vencidos.

"As grandes questões científicas desse campo exigem o esforço conjunto de diferentes áreas. Só que os centros de pesquisa trabalham as disciplinas de forma de separada", disse César Júnior.

"Nós, e os próprios pesquisadores ligados à e-Science, temos dificuldades para descobrir quais perguntas podem ser respondidas com o auxílio de dados e de que forma isso pode ser feito. Somente depois de identificadas essas questões é que podemos dar início à construção das ferramentas computacionais", explicou.

"A e-Science nos permite integrar informações sobre genética, fisiologia e ecofisiologia da cana-de-açúcar com dados sobre solo, clima e sustentabilidade para, a partir daí, desenhar estratégias de produção de biomassa ou etanol de segunda geração", sugeriu Marcos Buckeridge, do Laboratório Nacional de Ciência e Tecnologia do Bioetanol (CTBE).

Possibilidades que deverão vencer entraves práticos antes de produzirem frutos.

Segundo especialistas presentes no evento, um dos principais gargalos para melhorar o aproveitamento da e-Ciência nos estudos sobre bioenergia é a atual estrutura organizacional compartimentada das universidades e dos institutos de pesquisa brasileiros.

Análise da ciência

Durante o evento, Marta Mattoso, professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), também apresentou os resultados de um projeto que realiza sobre fluxos de trabalhos científicos.

O projeto consiste no desenvolvimento de ferramentas computacionais que possibilitem ao pesquisador registrar e manter um acompanhamento da sequência de atividades e parâmetros envolvidos em determinado experimento.

"Além de formalizar ações que muitas vezes se restringem à memória do cientista, as ferramentas computacionais possibilitam ganhar agilidade em processos que se repetem com distintos parâmetros ou em análises de fatores responsáveis por resultados negativos", explicou Mattoso.





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