Redação do Site Inovação Tecnológica - 16/07/2026

Controle passivo da flutuação
A energia das ondas é vista há muito tempo como uma fonte promissora de eletricidade limpa: O oceano está sempre em movimento, e esse movimento carrega uma enorme quantidade de energia.
Mas há uma grande dificuldade quando se tenta projetar dispositivos práticos para capturar essa energia das ondas: Os geradores não se movem naturalmente em sincronia com as ondas do mar, o que faz com que sua eficiência real fique muito abaixo do seu potencial teórico.
Ruben Paredes e colegas da Escola Superior Politécnica do Litoral, no Equador, acabam de achar uma solução para isso - e uma solução surpreendentemente simples.
Em vez dos controles ativos - eletrônicos, automatizados, robotizados etc -, Paredes idealizou uma forma passiva de ajustar um gerador de energia das ondas para que ele responda melhor às mudanças nas condições do mar.
A ideia consiste em usar cones submersos, fixados nas laterais de uma plataforma flutuante, na qual o gerador será instalado; conforme a plataforma se move, os cones retêm água e alteram o movimento da barcaça, forçando-a a se ajustar de forma mais natural às longas ondas do oceano. Com a barcaça mais estável, o dispositivo gerador pode aproveitar melhor o impacto das ondas.
A melhor abordagem encontrada até agora pela equipe consiste em cones invertidos mantidos abaixo da linha da água em ambos os lados da plataforma. Esses cones fazem com que a barcaça se comporte como se fosse mais pesada, além de adicionar resistência em relação à água circundante. Em termos simples, os cones alteram o modo como a plataforma se move, ajudando-a a responder melhor às longas ondas comuns em regiões costeiras.

Estabilidade e eficiência
Para testar o conceito, os pesquisadores construíram um modelo na escala 1:40 e realizaram experimentos em um tanque de ondas. Eles testaram um caso base sem cones e quatro casos adicionais, com cones de diferentes tamanhos e posições. O objetivo era observar como os cones alteram a estabilidade da plataforma, o período de rolamento natural, a resposta às ondas e a captura de energia.
Os resultados mostraram que os cones alteram claramente o comportamento do sistema e, mais importante, o ajuste passivo aumenta o período de rolamento natural para mais do que o dobro do da barcaça sem os cones. Na prática, isso significa que o dispositivo pode tirar proveito do ritmo das ondas longas, que geralmente são mais difíceis de explorar com barcos convencionais.
Os testes também mostraram que a adição dos cones não reduz a estabilidade da barcaça e que eles aumentam a resistência da água. Isso é importante porque o projeto deve encontrar um equilíbrio, precisando responder bem às ondas sem perder muita energia por dissipação.
Entre os casos testados, a configuração com melhor desempenho atingiu uma taxa de largura de captura de 52% em ondas regulares, um resultado expressivo para esse tipo de tecnologia. Em ondas irregulares, que representam melhor as condições reais do oceano, a mesma configuração manteve eficiências próximas a 21,5%. Isso indica que o conceito funciona não apenas em condições controladas de laboratório, mas também deverá apresentar bom desempenho nas condições menos previsíveis do oceano real.
Os próximos passos do projeto incluirão aprimorar o modelo adicionando efeitos não lineares, otimizar o formato dos cones e desenvolver um sistema real de captação de energia, para validar a conversão de energia de forma completa. Mas os resultados obtidos até agora já trazem uma mensagem clara: Estruturas submersas passivas podem ajudar um coletor de energia das ondas a se adaptar melhor ao mar e a aumentar sua eficiência.