Redação do Site Inovação Tecnológica - 14/07/2026

Cobre para todos
O cobre é um metal excepcional, servindo desde a fabricação de fios condutores elétricos e coberturas de edifícios até fornecer um revestimento protetor para estátuas e moedas.
Mas o cobre não é perfeito: Embora muito mais lentamente que a maioria dos metais menos nobres, ele oxida, se degrada e sofre corrosão.
Ou, pelo menos era assim até agora, uma vez que acaba de se tornar possível pintar superfícies com cobre puro.
Jun Zhang e colegas de várias instituições de pesquisa acabam de desenvolver uma tinta líquida reativa que permite imprimir cobre em praticamente qualquer superfície, sem oxidação ou corrosão.
Dado o amplo uso do cobre em diversos setores, essa tinta reativa promete reduzir custos de forma significativa. Basta considerar a importância do cobre na vida moderna, transportando eletricidade em sistemas de IA, centros de dados, redes sem fio, placas de circuito impresso, painéis solares e baterias.
"Essas trilhas de cobre impressas funcionarão como a 'fiação' dentro dos eletrônicos de próxima geração, produzidos de forma mais rápida, barata e com menos desperdício," disse o professor Shenqiang Ren, da Universidade de Maryland, nos EUA.

Tinta de cobre
Sobretudo a indústria eletroeletrônica sempre procurou soluções que permitissem otimizar a fabricação das trilhas dos circuitos impressos de cobre. Mas dois desafios teimavam em se render a esses esforços: O desenvolvimento de uma tinta de cobre imprimível em condições ambientais e a prevenção da corrosão e da oxidação após a aplicação de uma camada muito fina do metal.
Zhang chegou bem perto de solucionar tudo. Partindo de uma tinta azul, ele criou um método rápido para aplicar revestimentos de cobre que permanecem estáveis ao longo do tempo. A única exigência que permanece é que a aplicação seja feita a uma temperatura entre 100 e 150 °C, mas que é relativamente baixa em comparação com as tentativas anteriores.
"Ligantes à base de catecol medeiam a redução do cobre, permitem a fusão interpartículas a baixas temperaturas e conferem passivação à superfície, resultando em cobre flexível com baixa resistividade e estabilidade excepcional (mais de 1000 horas em ácido, mais de 200 horas em sulfeto e mais de 240 horas a 140 °C)," detalhou a equipe.
Para demonstrar a versatilidade da técnica, os pesquisadores imprimiram trilhas condutoras de cobre para células solares, placas de circuito impresso, réplicas em pequena escala da estátua de Testudo, uma tartaruga que é o mascote da universidade, e até mesmo modelos da Torre Eiffel.

Tintas condutoras
Testes de acompanhamento dos materiais impressos confirmaram a capacidade do material de permanecer intacto após seis meses em um dos ambientes mais agressivos em relação à decomposição dos metais: As amostras foram mantidas submersas em água do mar. É uma espécie de "cobre eterno", dizem os pesquisadores.
A expectativa é que esta nova técnica de aplicação venha a substituir os métodos convencionais de processamento de cobre, como galvanoplastia e corrosão química, reduzindo tempo, custo e impacto ambiental.
"A tinta recém-desenvolvida tem o potencial de revolucionar a indústria de tintas condutoras, permitindo o uso de cobre em vez de metais mais caros, como a prata, em aplicações eletrônicas, energéticas e ambientais," disse Liangbing Hu, membro da equipe.