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Materiais Avançados

Tinta de nanotubos promete carros mais pretos do mundo

Redação do Site Inovação Tecnológica - 29/06/2026

Carro mais preto do mundo? Tinta de nanotubos promete carros mais escuros que nunca
O novo revestimento é mais simples do que os nanotubos alinhados verticalmente usados na demonstração mais famosa.
[Imagem: Zhiwei Liu et al. - 10.1016/j.matlit.2026.100015]

Ultrapreto

Em 2019, a BMW apresentou um carro conceito com um revestimento de nanotubos de carbono que se tornou então o carro mais preto já visto no mundo. Isso deu início a uma corrida na indústria automotiva para desenvolver tintas e revestimentos que absorvam quase toda a luz, criando um efeito de "buraco negro" que confere aos veículos uma aparência escura e marcante.

"Os acabamentos em preto profundo têm sido, há muito tempo, a escolha premium e a cor característica dos carros de luxo devido à sua aparência elegante, forte impacto visual e tom luxuoso. Como resultado, as empresas de revestimento automotivo têm buscado ativamente inovações em tecnologia de cores para desenvolver soluções de revestimento ultrapreto processáveis em massa, com um preto extremo," disse Zhiwei Liu, da empresa Nippon Paint, na China.

Em seu conceito, a BMW usou nanotubos de carbono alinhados verticalmente, mas o que a indústria quer realmente são técnicas para alcançar o efeito ultrapreto que sejam práticas industrialmente e economicamente viáveis.

Liu e seus colegas conseguiram isto agora usando uma versão mais simples dos nanotubos, que nem precisam ser puros.

A equipe desenvolveu um compósito estável de pigmento que é uma mistura de nanotubos de carbono simples com negro de fumo, também pulverizado até a nanoescala. Essa mistura foi então incorporada a um aglutinante de revestimento, criando uma tinta que pode ser aplicada em automóveis por pulverização, usando pistolas tradicionais.

Carro mais preto do mundo? Tinta de nanotubos promete carros mais escuros que nunca
A tinta ultrapreta não é baseada em pigmentos, mas na chamada cor estrutural, ou cor física.
[Imagem: Zhiwei Liu et al. - 10.1016/j.matlit.2026.100015]

Mais preto que todos os pretos

Outras tentativas de produção de tintas e revestimentos pretos dependiam exclusivamente de dispersões de negro de fumo para absorver a luz, o que limita a intensidade da cor preta do revestimento. Esta nova abordagem utiliza uma "absorção estrutural", elevando a eficiência de absorção de luz do material a novos patamares e permitindo que ele absorva, em média, 99,90% dos comprimentos de onda da luz visível.

A utilização de uma proporção maior de nanotubos de carbono na tinta aumenta ainda mais sua capacidade de absorver luz, compensando as maiores dificuldades em termos de processamento em escala industrial.

O filme apresentou excelente estabilidade a longo prazo em testes de laboratório, envolvendo a exposição a testes de água e umidade. Mas serão necessários muitos mais testes e, provavelmente novos desenvolvimentos, para que a nova tinta ultrapreta possa chegar aos carros de linha.

A ideia é que o desenvolvimento de um revestimento ultrapreto siga agora rumo a materiais com um índice de refração gradiente, que reduza a reflexão na interface e aprimore ainda mais a eficiência de absorção de luz, além de múltiplas camadas de aplicação, resultando em uma aparência ainda mais escura.

Bibliografia:

Artigo: Robust ultra-black automotive coating with structural absorption and high absorption efficiency based on waterborne carbon black/CNT composite
Autores: Zhiwei Liu, Changyi Pan, Jet Cui
Revista: Matter & Light
DOI: 10.1016/j.matlit.2026.100015
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