Logotipo do Site Inovação Tecnológica





Eletrônica

Neurotransístor simula e reforça memória e esquecimento do cérebro

Redação do Site Inovação Tecnológica - 19/06/2026

Neurofototransístor simula e reforça memória e esquecimento do cérebro
Ilustração do neurofototransístor, que permite simular memória e esquecimento acionados por luz.
[Imagem: OSU]

Neurofototransístor

Há poucos dias, vimos o lançamento de um componente híbrido que é um misto de transístor, memória e LED, tornando-o ideal para equipamentos compactos que façam a coleta de sinais, o processamento e ainda mostrem os resultados em uma tela.

Agora, Ahasan Ullah e colegas da Universidade do Estado do Oregon, nos EUA, criaram uma espécie de "espelho" desse componente, outro híbrido que permitirá combinar sensoriamento, memória e processamento, mas com uma vantagem: O neurotransístor permite controlar como as memórias digitais se fortalecem ou se dissipam com o tempo.

"Nosso dispositivo optoeletrônico introduz uma nova capacidade de hardware que pode permitir um processamento mais eficiente de informações diretamente no nível do sensor," disse o professor Larry Cheng. "Ao contrário da memória convencional, projetada para preservar informações, nosso dispositivo pode controlar eletronicamente como as memórias se fortalecem ou se deterioram."

Isso significa que esse novo neuro-foto-transístor deverá viabilizar aplicações neuromórficas, ou inspiradas no cérebro, além de otimizar dispositivos fotônicos.

Neurofototransístor simula e reforça memória e esquecimento do cérebro
Uso do neurofototransístor para simular os processos de lembrança e esquecimento do cérebro.
[Imagem: Ahasan Ullah et al. - 10.1002/adfm.75942]

Guarda e reforça memórias

Neste fototransístor integrado, a luz gera cargas elétricas que funcionam como memória. De modo semelhante a como os sinais químicos no cérebro regulam a força da memória e o esquecimento, um pequeno sinal elétrico permite ajustar a influência dessas cargas armazenadas, permitindo que as memórias persistam por mais tempo ou se dissipem mais rapidamente, um elemento crucial rumo aos sistemas de computação neuromórfica, incluindo os conceitos mais avançados de computador neuromórfico óptico.

O componente funciona combinando dois materiais diferentes para integrar funções distintas: Um semicondutor de óxido serve como canal do transístor, conduzindo a corrente elétrica, enquanto um material fotossensível orgânico, depositado sobre ele, absorve a luz e gera cargas elétricas. Algumas dessas cargas ficam retidas na camada fotossensível, continuando a influenciar a corrente que flui pelo semicondutor mesmo depois que a luz se apaga, permitindo que o componente retenha uma memória dos sinais ópticos anteriores.

E ainda dá para reforçar as memórias: Aplicando uma tensão elétrica na porta do transístor, a posição das cargas aprisionadas em relação ao canal de condução pode ser alterada. Aproximar as cargas do canal do transístor, o caminho microscópico por onde os elétrons fluem, fortalece sua influência elétrica e prolonga o efeito de memória; afastá-las enfraquece essa influência e acelera a perda das cargas armazenadas, fazendo com que a memória se desvaneça mais rapidamente.

"Essa memória fotossensível, com tempo de vida programável, cria uma janela de tempo ajustável para processar sinais visuais e de outros sensores diretamente no local onde são detectados, uma capacidade que pode viabilizar sistemas de visão mais eficientes e outras tecnologias de IA baseadas em sensores," disse Cheng.

Bibliografia:

Artigo: Neuromodulator-Inspired Gate-Tunable Tetracene-Metal Oxide Phototransistor for Adaptive Optoelectronic Memory and Neuromorphic Computing
Autores: Ahasan Ullah, Roshell Lamug, Tasnim Sarker, Xueqiao Zhang, Andrew Ensinger, Lizhong Chen, Oksana Ostroverkhova, Li-Jing Cheng
Revista: Advanced Functional Materials
DOI: 10.1002/adfm.75942
Seguir Site Inovação Tecnológica no Google Notícias





Outras notícias sobre:
  • Transistores
  • Fotônica
  • Biomecatrônica
  • Computadores

Mais tópicos