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Gás metano detectado em Marte pode indicar sinais de vida
A água no subsolo, o dióxido de carbono e o calor interno do planeta podem se combinar para liberar o metano na atmosfera de Marte. [Imagem: NASA/Susan Twardy]

A NASA anunciou a descoberta de metano em Marte, emanando de pontos específicos do solo, mas com uma larga distribuição ao longo da superfície do planeta.

A presença do gás pode implicar a existência de atividades geológicas e até biológicas em Marte. Na Terra, cerca de 90% do metano é produzido por organismos.

Em alguns locais, a quantidade de metano encontrado em Marte chega a ser comparável à encontrada na atmosfera da Terra.

Origens do metano marciano

Os cientistas não sabem ainda com certeza qual é a fonte do metano marciano, mas a imagem acima tenta dar uma idéia de uma das possibilidades. A água no subsolo, o dióxido de carbono e o calor interno do planeta combinam-se para liberar o gás.

Embora não haja qualquer evidência da existência atual de vulcões no planeta, o metano pode ter ficado aprisionado em "cavernas" de gelo por bilhões de anos, e agora estar sendo liberado. Mas, segundo os cientistas, mais estudos serão necessários para determinar com certeza a origem do metano marciano.

Marte, um planeta vivo

O metano, cuja molécula é formada por quatro átomos de hidrogênio ligados a um átomo de carbono, é de grande interesse dos astrobiólogos (cientistas que buscam vida fora da Terra) porque os organismos vivos liberam grandes quantidades de metano quando digerem nutrientes.

Contudo, processos puramente geológicos também podem liberar o gás, como é o caso da oxidação do ferro.

Ainda que o metano não se origine de organismos vivos, o achado significa que o planeta é vivo em termos geológicos, com atividades de sub-superfície que ainda deverão ser estudadas e conhecidas.

"Neste momento, nós não temos informações suficientes para dizer se a biologia ou a geologia, ou ambos, estão produzindo o metano em Marte. Mas ele nos diz que o planeta continua vivo, ao menos em sentido geológico," explica Michael Mumma, cientista da NASA.

Se organismos marcianos estiverem realmente produzindo o metano, eles provavelmente residem muito abaixo da superfície, onde é quente o suficiente para que a água permaneça em estado líquido. A água em estado líquido, assim como uma fonte de energia e um suprimento adequado de carbono, são necessários para manter todas as formas de vida conhecidas pelo homem.

Comparável ao metano da Terra

A detecção foi feita com espectrômetros de infravermelho de alta dispersão a partir de três telescópios diferentes, que monitoraram cerca de 90% da superfície do planeta durante três anos marcianos - o equivalente a sete anos terrestres. Os dados foram comparados com outros informações coletadas pela sonda Mars Express, que se encontra em órbita de Marte.

Em um momento durante o período analisado, a coluna de gás primária emanando do solo continha cerca de 19 mil toneladas de metano, o que é comparável com a quantidade de metano liberada por uma bacia petrolífera na Califórnia. As emissões de metano foram observadas em 2003, mas só agora os cientistas concluíram a análise de todos os dados coletados.

Bibliografia:

Strong Release of Methane on Mars in Northern Summer 2003
Michael J. Mumma, Geronimo L. Villaneuva, Robert E. Novak, Tilak Hewagama, Boncho P. Bonev, Michael A. DiSanti, Avi M. Mandell, Michael D. Smith
Science
January 15 2009
Vol.: Published online
DOI: 10.1126/science.1164014




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