Logotipo do Site Inovação Tecnológica





Plantão

Pandemia do coronavírus faz a Terra tremer menos

Com informações da Agência Brasil - 03/04/2020

Pandemia do coronavírus faz a Terra tremer menos
Os terremotos podem ser detectados do espaço, embora sereias robóticas estejam se mostrando mais úteis.
[Imagem: Nasa]

Sismologia humana

Com o isolamento obrigatório decretado em vários países em resposta à pandemia da covid-19, não foi só a poluição que diminuiu. Geólogos têm alertado para uma outra observação menos perceptível ao ser humano: a Terra está tremendo menos.

Em todo o mundo, os sismólogos têm detectado muito menos ruído sísmico, isto é, vibrações geradas pela circulação de automóveis, caminhões, ônibus e mesmo pessoas durante o seu dia a dia. Na ausência desse ruído, as vibrações na crosta terrestre diminuem, o que faz com que esta se mova menos.

Thomas Lecocq, do Observatório Real na Bélgica, observou o fenômeno pela primeira vez em Bruxelas. A cidade tem registrado uma redução de 30% a 50% do ruído sísmico desde meados de março, quando a Bélgica implementou medidas de distanciamento social e fechamento do comércio.

"Desde o início do confinamento, observamos um nível de ruído sísmico semelhante ao que geralmente detectamos nos fins de semana ou durante os períodos de férias. Uma queda de 30% a 50%," disse o sismólogo. O ruído durante o dia durante o isolamento social e as quarentenas impostos pela pandemia é agora semelhante ao registrado à noite.

A pesquisadora Celeste Labedz documentou quebra do ruído sísmico também nos EUA, uma queda especialmente acentuada em Los Angeles ao longo do mês de março.

Sensibilidade para terremotos menores

Thomas Lecocq revelou ainda um outro efeito interessante relacionado com a diminuição do ruído: está sendo possível detectar terremotos menores e outros eventos sísmicos que algumas estações sísmicas nunca conseguiriam registrar.

As estações sísmicas são habitualmente instaladas fora das áreas urbanas, uma vez que, quanto menor for o ruído humano, mais fácil é a captação de vibrações no solo. No entanto, a estação de Bruxelas foi construída há mais de um século e a cidade expandiu-se, dificultando o trabalho, o que a tornou praticamente sem serventia. Os sismólogos passaram então a utilizar um aparelho instalado no subsolo para monitorar a atividade sísmica.

No entanto, atualmente, com a tranquilidade da cidade, Lecocq explica que a estação de Bruxelas tem detectado atividade quase tanto quanto o novo aparelho no subsolo. "Atualmente, somos capazes de detectar eventos muito fracos, como pequenas explosões nas pedreiras do país," afirmou.

Para o sismólogo, os gráficos são uma prova de que as pessoas estão cumprindo os conselhos das autoridades e, assim, evitam sair de suas casas.

"Do ponto de vista sismológico, podemos motivar a população ao dizer ok, vocês sentem-se sozinhos em casa, mas podemos dizer que toda a gente está em casa. Todos estão fazendo o mesmo, todos estão respeitando as regras," finalizou o sismólogo.







Outras notícias sobre:
  • Monitoramento Ambiental
  • Mineração
  • Sensores
  • Saúde e Reabilitação

Mais tópicos