Redação do Site Inovação Tecnológica - 12/05/2026

Plásticos vivos
Muitos produtos feitos de plástico são projetados para uso único, embora o material em si dure anos, na natureza ou mesmo em nossos corpos, na forma de microplásticos.
Uma nova estratégia promete superar esse problema criando produtos que se autodestroem sob comando. São autênticos "plásticos vivos", que incorporam bactérias ativáveis - quando os micróbios são ativados, eles degradam o plástico e todas as cadeiras poliméricas que o formam.
Muitos micróbios conseguem quebrar longas cadeias poliméricas em pedaços menores usando enzimas. Como os plásticos são polímeros, essas enzimas, ou os micróbios que as produzem, podem ser incorporados no material sintético para criar os tais plásticos vivos.
Chenwang Tang e colegas do Instituto Shenzhen de Tecnologias Avançadas, na China, foram além e incorporaram no plástico duas cepas bacterianas que atuam em conjunto, uma ação sinérgica que consegue eliminar completamente o material em apenas seis dias, e sem produzir microplásticos.
Enquanto as tentativas anteriores dependiam principalmente de uma única enzima, a equipe modificou geneticamente a bactéria Bacillus subtilis para criar duas cepas que produzem duas enzimas cooperativas de degradação de polímeros: Uma enzima age como um cortador aleatório, fragmentando as longas cadeias de polímeros em pedaços menores, enquanto a outra decompõe esses pedaços em suas unidades monoméricas constituintes a partir de cada extremidade.

Acionando a autodestruição
A equipe misturou a forma dormente de esporos da bactéria Bacillus subtilis com policaprolactona, um polímero usado em impressão 3D e em algumas suturas cirúrgicas, para proteger os microrganismos enquanto eles devem permanecer dormentes no produto. As propriedades mecânicas resultantes são semelhantes às dos filmes de policaprolactona comuns.
A ativação se dá com a adição de um caldo nutritivo a 50 ºC: Os esporos são ativados, decompondo o plástico em seus componentes básicos em apenas seis dias. A cooperação entre as enzimas foi tão eficiente que impediu até mesmo a formação de partículas de microplástico durante o processo de degradação.
Como prova de conceito, os pesquisadores usaram seu plástico biológico para criar um eletrodo plástico vestível, que não apenas funcionou como o eletrodo comum, mas também degradou-se completamente em duas semanas.
A equipe agora está trabalhando para substituir seu caldo nutritivo por água, onde grande parte da poluição plástica acaba indo parar.