Energia

Dessalinização aproveita desperdício de energia de termelétrica

A dessalinização - o processo de transformar água salgada ou salobra em água potável - é freqüentemente apontada como a grande solução para o fornecimento de água potável para várias partes do mundo num futuro próximo. O problema é que as tecnologias atuais são vorazes consumidoras de energia.

Agora o engenheiro James Klausner, da Universidade da Flórida, apresentou uma nova técnica de purificação da água que é mais eficiente e não é tão intensiva na utilização de energia.

A maioria das plantas comerciais de dessalinização ou usam o processo de destilação ou a osmose reversa. A destilação consiste em ferver a água, coletar o vapor e transformá-lo novamente em água, desta vez água potável. Na osmose reversa, bombas de alta pressão forçam a água salgada através de filtros que capturam as partículas de sais e minerais, deixando passar apenas a água pura.

Os dois processos têm inconvenientes: ferver a água exige muita energia e a osmose reversa consome seus filtros muito rapidamente.

A nova técnica, desenvolvido pelo Dr. Klausner, é uma variação da destilação. Ao invés de ferver a água, ela se baseia em um processo físico chamado difusão de massa, para fazer com que a água se evapore e se separe do sal.

Bombas são utilizadas para forçar a água ao longo de um aquecedor e espalhá-la sobre uma torre de difusão - uma coluna feita de uma matriz de polietileno que cria uma grande área superficial por onde a água flui enquanto está caindo.

Outras bombas, na base da torre, injetam ar seco na coluna no sentido oposto ao da água. À medida em que a água salgada se choca com o ar quente, ela se evapora. O ar fica saturado de umidade e é forçado por ventiladores em direção a um condensador que força a umidade a se condensar em água pura.

Klausner afirma que uma vantagem do seu sistema é que ele pode aproveitar calor que é desperdiçado em outras usinas termelétricas para aquecer a água, barateando ainda mais o processo.

Ele testou um protótipo do seu projeto em laboratório, produzindo cerca de 2000 litros de água potável por dia. Segundo seus cálculos, uma versão industrial, aproveitando o calor desperdiçado por um termelétrica de 100 megawatts, tem o potencial para gerar mais de 5 milhões de litros por dia. O custo é calculado em US$0,66 para cada 1000 litros produzidos, comparados com US$2,50 gastos no processo de destilação e US$0,80 no processo de osmose reversa.

Mas o processo tem inconvenientes também. Uma planta industrial que se baseie no novo processo terá que ser construída ao mesmo tempo em que a usina da qual ela aproveitará o calor, já que as duas estruturas têm que estar perfeitamente conectadas. E a área para a instalação toda não deve ser menor do que um campo de futebol.





Outras notícias sobre:

    Mais Temas