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Sonda européia muda a história da água em Marte

Redação do Site Inovação Tecnológica - 17/10/2006


Água em Marte

Há décadas, os astrônomos têm intercalado maravilhamento e ceticismo quando o assunto é água em Marte.

Agora, graças à sonda européia Mars Express, a maioria da especulação anterior está sendo substituída por fatos.

Lançada em Junho de 2003, a Mars Express já mudou para sempre a forma como os cientistas pensam sobre nosso impressionante vizinho vermelho.

Sonda européia muda a história da água em Marte

Desde as missões Viking, nos anos 1970, os pesquisadores mudaram suas teorias sobre a água em Marte várias vezes, indo desde a concepção de um planeta seco até um planeta quente e úmido.

"O quadro geral de um Marte quente e com água não está completamente correto. Qualquer período quente e úmido durou apenas alguns poucos milhões de anos. Mas ele se foi há quatro bilhões de anos," diz Gerhard Neukum, cientista responsável pelas imagens geradas pela sonda Mars Express.

Teoria e experimento

Três instrumentos estão por trás dessa alteração nas teorias. O primeiro é o MARSIS (Mars Advanced Radar for Subsurface and Ionospheric Sounding), um radar capaz de analisar a crosta do planeta em profundidades de milhares de metros. Foi esse radar que localizou água congelada no fundo de crateras produzidas pelo impacto de meteoros.

O segundo instrumento é o Omega (Visible and Infrared Mineralogical Mapping Spectrometer), um espectrômetro capaz de detectar minerais na superfície de Marte. Este equipamento encontrou minerais argilosos, que se formam durante longos períodos de exposição à água, mas apenas nas regiões mais antigas do planeta. "Nós demonstramos que a água pode ter ficado estável na superfície de Marte, mas não por muito tempo," diz Jean-Pierre Bibring, responsável pelo Omega.

Durante a evaporação, essa água líquida formou sulfatos, o segundo mineral detectado pelo Omega. Quando essa evaporação cessou, e a água restante na superfície congelou, a atmosfera gradualmente deu ao solo uma coloração vermelha, ao criar o terceiro mineral detectado pelo espectrômetro, o óxido de ferro.

E, de lá para cá, Marte não mudou mais de forma significativa.

Erosão por água

Todas essas conclusões são confirmadas pelo terceiro instrumento, a HRSC (High Resolution Stereo Camera), uma câmera de altíssima resolução, capaz de fazer fotos da superfície do planeta com uma precisão de apenas 10 metros.

As imagens mostram que as regiões mais antigas de Marte sofreram erosão por fluxos de água; outras mostram sinais claros de geleiras que se formaram quando a temperatura do planeta caiu até não permitir mais a existência de água na forma líquida.

Obviamente que essas datações jogam um verdadeiro balde de areia sobre as pretensões dos cientistas em encontrar rapidamente qualquer sinal de vida, presente ou passada, na superfície de Marte.






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