Nanotecnologia

Animal em um chip: criada a cobaia biônica

Animal em um chip  criada a cobaia biônica

Utilizando um equipamento que auxilia pessoas com deficiências visuais a interagirem com o computador, Wei Gu, estudante da Universidade de Michigan, Estados Unidos, criou um microlaboratório ("lab-on-a-chip") capaz de direcionar células vivas e outros fluidos através de microcanais, de tal forma que as células comportam-se como se estivessem no interior de um ser vivo.

Embora o chip não se pareça com um rato de laboratório, funcionalmente ele se aproxima muito de um ser vivo, que pode ser utilizado para diagnósticos clínicos, desenvolvimento de novas drogas ou como biosensor. Na verdade, o microlaboratório e o programa de computador criado para gerenciá-lo, formam uma espécie de sistema circulatório.

O sistema de pinos do equipamento que cria os códigos em Braille serve, na cobaia biônica, para injetar ou parar a circulação dos fluidos nos diversos microcanais do chip. Totalmente controlado pelo programa de computador, o microlaboratório permite que os pesquisadores façam oconteúdo dos canais fluírem para onde for necessário, misturando os compostos necessários e mantendo separados os demais.

O professor Shuichi Takayama, orientador de Gu, afirma que pequenas quantidades de tecidos vivos, cada um de um tipo diferente - células musculares, ósseas, pulmonares etc. - poderão ser geradas pelo pequeno sistema circulatório. O equipamento todo não terá um tamanho maior do que uma calculadora grande.

"Poderá ser eticamente mais palatável do que utilizar animais de laboratório e, mais importante, você poderá utilizar células humanas reais para fazer os testes," explica o Dr. Takayama. Se a legislação permitir, esqueceu-se de acrescentar o professor.

Para permitir a fluidez de células vivas, os cientistas tiveram que construir os microcanais com tamanhos apropriados. O protótipo tem canais de 300 micra de largura por 30 micra de altura. Isso é suficiente para a passagem de 10 a 20 células em cada canal.

No seu estado inicial, vários pontos diferentes do dispositivo deverão ser preenchidos com células-tronco. Cada uma dessas células poderá receber a mistura adequada de compostos químicos, incluindo hormônios e nutrientes, sinalizando para que se desenvolvam em tipos específicos de tecidos.

Quando as células já tiverem se desenvolvido, os canais microfluídicos poderão ter as rotas alteradas, permitindo que diferentes tipos de tecidos se encontrem e interajam. Então, uma nova droga, por exemplo, poderá ser injetada através dos canais para permitir que os cientistas observam como os diversos tipos de tecido reagirão ao novo medicamento.

Mas estas são apenas possibilidades, já que a pesquisa com células-tronco está longe de ser uma unanimidade e não é permitida na maioria dos países. Ainda assim, o equipamento agora desenvolvido pode ser muito útil em pesquisas menos pioneiras.





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