Nanotecnologia

Água e nanoeletrônica geram memórias de ultra-densidade

Água e nanoeletrônica geram memórias de ultra-densidade

Colocar água no computador não parece ser exatamente uma boa idéia. Mas pesquisadores de três universidades norte-americanas, trabalhando conjuntamente, descobriram que inserção de algumas moléculas de água pode ser o ovo de colombo para a fabricação de uma nova geração de memórias para computador.

As memórias ferroelétricas (FRAM) são uma das grandes promessas da tecnologia de armazenamento de informações para as próximas décadas. Sua principal vantagem é a manutenção dos dados mesmo na ausência de energia.

Para que essas novas memórias possam ser, além de eficientes, minúsculas, os cientistas estão tentando manipulá-las e controlá-las em escala nanométrica. Foi aí que eles descobriram que a junção de ferro e água no reino da nanoeletrônica, ao invés de gerar ferrugem, pode ser uma forma excepcional de estabilizar as memórias ferroelétricas.

Trabalhando com nanofios de apenas 3 nanômetros - o que significa alguns poucos átomos de comprimento - os cientistas conseguiram estabilizar bits de memória com a simples adição de "fragmentos de água."

"Nós estávamos interessados em descobrir como a água adere aos óxidos," explica Alexie Kolpak, um dos pesquisadores. "Nós ficamos particularmente entusiasmados em descobrir que a água é o ingrediente chave em fazer com que esses fios 'lembrem' seu estado."

A "lembrança" do estado é justamente a condição que torna possível a utilização dos nanofios como bits de memória. A inserção das moléculas de água transforma esses nanofios em elementos dipolos locais chaveáveis, ou seja, em elementos básicos capazes de guardar informações digitais - bits magnéticos.

A pesquisa demonstra que os bits ficam estáveis em dimensões muito menores do que se imaginava possível. É claro que memórias de computador construídas a partir desse conceito ainda terão que ser desenvolvidas. Mas já é possível ter-se uma idéia do impacto potencial da descoberta.

Com bits estáveis nas dimensões alcançadas, é possível a construção de memórias com uma densidade de 100.000 terabits por centímetro cúbico. Difícil imaginar o que isso significa na prática? Basta imaginar que, com uma memória assim, o seu iPod conseguiria armazenar músicas MP3 suficientes para tocar durante 300.000 anos, sem repetições. Cansativo? Que tal então 10.000 anos de vídeo com qualidade de DVD?

Bibliografia:

Ferroelectric Phase Transition in Individual Single-Crystalline BaTiO3 Nanowires
Jonathan E. Spanier, Alexie M. Kolpak, Jeffrey J. Urban, Ilya Grinberg, Lian Ouyang, Wan Soo Yun, Andrew M. Rappe, Hongkun Park
Nano Letters
March 15, 2006
Vol.: 6 (4), 735-739, 2006. 10.1021
DOI: 10.1021/nl052538e




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