Nanotecnologia

Nanotubos de carbono passam em primeiro teste in vivo

Nanotubos de carbono passam em primeiro teste in vivo

Nos primeiros experimentos desse tipo já relatados, cientistas descobriram que nanotubos de carbono injetados diretamente na corrente sangüínea de animais de laboratório não causam danos imediatos à saúde, circulando por mais de uma hora antes de serem removidos pelo fígado.

Embora de curta duração, o experimento contraria testes anteriores realizados com células individuais, que se mostraram severamente afetadas pelos nanotubos. Veja Eletrônica e neurônios podem se falar por meio de nanotubos de carbono e Nanotubos de carbono agora são biocompatíveis.

A descoberta foi feita por cientistas das Universidade Rice e Texas, ambas nos Estados Unidos. "Nós retiramos amostras de uma dúzia de órgãos, e encontramos quantidades significativas de nanotubos somente no fígado," diz o professor Bruce Weisman. "O fígado naturalmente remove drogas ou compostos do sangue, de forma que era isto que esperávamos encontrar."

Mas esta experiência é apenas o passo inicial de uma série de testes que deverão ser feitos antes que os nanotubos de carbono possam ser utilizados de fato na medicina. Afinal, "quantidades não significativas" é muito diferente de "nenhum nanotubo", e os cientistas terão que fazer muitos estudos até descobrir quais efeitos mesmo alguns poucos exemplares terão sobre os órgãos vivos em um período significativo de tempo. Uma hora de testes parece razoável apenas como um primeiro experimento muito primário. Também não foram feitas análises de longo prazo sobre as cobaias, já que elas foram dissecadas para análise.

Para acompanhar os nanotubos de carbono no interior do corpo das cobaias os pesquisadores utilizaram uma característica muito interessante desse material promissor: os nanotubos são fluorescentes à radiação na faixa do infravermelho próximo, o que torna fácil seu monitoramento no interior do organismo.

Essa característica é mais uma das propriedades que se destacam nos nanotubos e poderão permitir, no futuro, sua utilização na área médica, em procedimentos não invasivos de diagnóstico e no tratamento de doenças como o câncer e a arteriosclerose.

Bibliografia:

Mammalian pharmacokinetics of carbon nanotubes using intrinsic near-infrared fluorescence
Paul Cherukuri, Christopher J. Gannon, Tonya K. Leeuw, Howard K. Schmidt, Richard E. Smalley, Steven A. Curley, Bruce Weisman
Proceedings of the National Academy of Sciences
November 29, 2006
DOI: 10.1073/pnas.0609265103




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