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R$50 milhões para TV Digital brasileira

A Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP) vai apoiar o desenvolvimento do Sistema Brasileiro de TV Digital (SBTVD). O primeiro passo foi dado no dia 20 de maio, quando a empresa lançou, em conjunto com os Ministérios das Comunicações e da Ciência e Tecnologia, um programa que irá liberar R$ 50 milhões para projetos na área. Os recursos são oriundos do Fundo para o Desenvolvimento Tecnológico das Telecomunicações" - Funttel.

Segundo André Nunes, analista da FINEP, a primeira etapa será uma chamada pública para qualificação de instituições, que terão de comprovar estar aptas a realizar os projetos. Os documentos requeridos no edital devem ser enviados à FINEP até o dia 11 de junho. "Esperamos envolver cerca de 60 instituições e mais de 600 pesquisadores no processo", diz André.

O advento da TV digital significará muito mais do que uma simples evolução dos sistemas de imagem e som. Trata-se de um nova plataforma de transmissão que permitirá o acesso à internet, o ensino à distância e a interação do espectador com o conteúdo veiculado, entre outros benefícios. No mundo, existem hoje três padrões em uso: o da Europa, Japão e EUA. Em vez de adotar um dos sistemas, o governo brasileiro avalia desenvolver um padrão próprio, que atenda às necessidades do mercado nacional. O principal objetivo é promover a inclusão digital. Segundo dados do governo, menos de 8% dos brasileiros nas cidades têm acesso a internet e, na região rural, o índice é de apenas 0,02%. Espera-se que a transmissão pelo novo sinal possa transformar cada aparelho de TV em uma porta de entrada para a rede mundial de computadores.

Números do IBGE mostram que existem no País aproximadamente 54 milhões de aparelhos de TV. Para aproveitar todo este parque nacional instalado, será necessário o desenvolvimento dos chamados set top boxes, transcodificadores que, na prática, fazem com que uma TV comum funcione como uma digital e faça as vezes de um computador conectado à internet. "O desafio é produzir set top boxes a preços acessíveis, com vistas a permitir o acesso ao maior número possível de cidadãos", afirma André. A expectativa é que o Brasil consiga fabricar um transcodificador que custe R$ 150 reais ao consumidor final. O preço do japonês é US$ 85, cerca de R$ 270.

Com um modelo próprio de TV Digital, o Brasil economizaria também com o não pagamento de royalties a empresas internacionais. Os japoneses e europeus usam para áudio e vídeo o MPEG-2, programa cujo royalty custa cerca de US$ 2,50 por cada televisor. Já os americanos usam essa tecnologia apenas no vídeo e optaram pelo sistema Dolby para o áudio, que obriga um pagamento de US$ 5 pelo pacote. E os três sistemas usam tecnologias diferentes para os softwares que permitirão a interatividade (middleware). Os royalties cobrados por estes programas custam de US$ 7 a US$ 20. No total, o País pode poupar por televisor até US$ 25.





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