Robótica

Robô Hyperion irá procurar vida em Marte

Redação do Site Inovação Tecnológica - 01/08/2003

Robô Hyperion irá procurar vida em Marte

Terminou na última semana a mais longa bateria de testes a que já foi submetido um robô destinado à exploração espacial. Hyperion, um robô autônomo e alimentado por energia solar, é dotado dos mais avançados instrumentos de detecção de sinais de vida já construídos (veja reportagem). A NASA necessita de um robô capaz de procurar sinais de vida, presente ou passada, em Marte. Para isso, o robô foi testado na região mais inóspita da Terra: o deserto de Atacama, no Chile.

A versão do Hyperion que está sendo testada provavelmente nunca chegará a Marte. Isto porque a tarefa de procurar vida é por demais complexa e o projeto de construção de um robô definitivo deverá levar pelo menos três anos. Mas os equipamentos agora testados no Hyperion deverão, no futuro, equipar os robôs que farão a viagem.

Os instrumentos experimentais de detecção direta de vida que equipam o Hyperion representam a próxima geração de equipamentos com essa finalidade. O robô foi utilizado como uma plataforma para a condução de experimentos e para coletar informações que deverão ajudar na construção de um sistema de detecção de vida adequado para operar em um ambiente desértico. O deserto do Atacama é sempre comparada à superfície marciana em virtude de sua aridez, composição do solo e valores extremos de radiação ultravioleta.

Os cientistas, que batizaram a sua procura por sinais de vida de Astrobiologia, afirmaram que o enfoque duplo que eles desenvolveram mostrou-se altamente efetivo durante esta primeira expedição. O primeiro enfoque é a excitação de qualquer sinal de clorofila que possa estar presente, através da projeção de luz de comprimentos de onda que são absorvidos pela clorofila ou por seus pigmentos secundários, detectando a seguir os sinais fluorescentes resultantes.

O segundo enfoque envolve a aplicação de corantes que se ligam a cada uma das quatro principais classes de macromoléculas existentes nas células. Os corantes foram projetados para serem fluorescentes somente quando se ligam a moléculas específicas do ácido nucleico, das proteínas, lipídios ou carboidratos. Uma correlação da presença desses quatro componentes essenciais representa uma forte indicação de vida, da forma como a conhecemos.

O Hyperion viajou 20 quilômetros e recolheu 27 conjuntos de dados científicos em locais diferentes. Ele foi capaz de operar autonomamente por uma distância muito superior aos "rovers" anteriores. Apenas como comparação, o Sojourner, o primeiro robô a descer em Marte, viajou apenas 300 metros em 84 dias de missão. O principal problema é que ele era capaz de rodar apenas alguns metros antes de necessitar entrar em comunicação com a base. Os cientistas esperam que o Hyperion, ou seu sucessor, seja capaz de viajar até um quilômetro sem necessidade de comunicação ou de receber qualquer comando.





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