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Transferência de tecnologia e universidades: Lucro ou benefício para estudantes?

A transferência de tecnologia e o lucro para as universidades
Relação com empresas tem grande potencial para o ensino e para dar retorno à sociedade na forma de tecnologias que podem ser usadas no dia a dia, diz diretora do Escritório de Transferência de Conhecimento da Irlanda.[Imagem: Felipe Maeda/Agência FAPESP]

Escritórios de transferência de tecnologia

Os chamados escritórios de transferência de tecnologia (ETT) têm-se destacado na Europa e nos Estados Unidos por fazer a conexão entre a academia e a indústria, gerando novas patentes e produtos, e mesmo trazendo lucro para várias universidades.

Esse último, porém, não deve ser o objetivo dessas agências. O principal deve ser oferecer aos alunos contato com os problemas que as empresas precisam superar e trazer para a sociedade as inovações pelas quais ela já paga, por meio de seus impostos.

Esta é a opinião de Alison Campbell, diretora do Escritório de Transferência de Conhecimento da Irlanda (Knowledge Transfer Ireland), órgão criado em 2013 para facilitar a transferência de conhecimento entre indústria e academia. Campbell foi uma das palestrantes em um evento sobre o tema que ocorreu em São Paulo, patrocinado pela FAPESP.

Campbell contou que, mesmo nos Estados Unidos, são poucos os ETTs em que há um retorno em forma de lucros para a universidade. "Quando vemos as estatísticas, imaginamos que os Estados Unidos estão fazendo um trabalho incrível, licenciando muitos produtos e obtendo centenas de milhões de dólares em retorno para essas instituições. Mas no fundo são poucas que estão realmente obtendo lucro," disse Campbell.

Vantagens para universidades

O contato com empresas traz também vantagens para o ensino nas universidades, ao colocar estudantes em contato com a realidade empresarial. "Isso requer que a universidade pense que [essa interação] é algo muito importante. Fico realmente impressionada com quanto alguns dos nossos institutos universitários estão à frente. E não é apenas liderança, mas o ambiente que eles criam," disse.

Campbell citou o exemplo da Universidade de Limerick, no sul da Irlanda, em que os estudantes têm a oportunidade de passar um tempo em uma empresa ainda na graduação, observando os problemas que têm de ser resolvidos no dia a dia.

"Isso é excelente para os estudantes. Para fazer isso, a maioria das faculdades precisa desenvolver uma relação com as empresas, porque esses alunos necessitam ser supervisionados no período que estiverem lá. Isso cria um ambiente mais vibrante e conectado, ao mesmo tempo em que aumenta a compreensão da forma que as faculdades pensam em termos de pesquisa e os desafios que existem nas empresas," disse.

Um problema de contar com um retorno financeiro dos ETTs é que, mesmo que haja lucro em algum momento, ele não será constante. Não é possível contar com esse dinheiro para planejar anos futuros. Campbell disse ter conversado com pessoas em agências do tipo em diferentes países e todos concordam que é "ilusório" pensar que elas podem ser uma fonte de recursos.

"Uma colega trabalha em um desses escritórios, que recebe muitos pagamentos de royalties por conta de medicamentos desenvolvidos a partir de patentes dessa universidade. Mas agora ela precisa explicar para a universidade que haverá outras patentes e royalties, mas nada nos próximos cinco anos, devido à própria natureza do ciclo de inovação," disse.





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