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América Latina mantém vocação para economia primária

Veias sempre abertas

A inovação na indústria é algo desejável por governos, empresas e a sociedade em geral, mas os países da América Latina (AL) têm desempenho lastimável nessa área se comparados às economias mais industrializadas do mundo.

As exportações de produtos manufaturados da Europa e Estados Unidos em 2011, por exemplo foram de 80% e 76% de suas vendas totais.

Na América do Sul, esse índice foi de 24%, pouca coisa melhor do que a média da África, com 19%.

A maior parte das exportações dos países do continente é de commodities, como, por exemplo, açúcar, soja e carne, o que indica que a indústria desses países ainda não está inserida na dinâmica global da economia.

E, se não há trocas comerciais, fica difícil também desenvolver tecnologia e investir em pesquisa.

"O problema de depender das commodities é que sempre pode surgir um país que vende mais barato", afirma Paulo Roberto Feldmann, professor da Faculdade de Economia e Administração (FEA-USP).

As barreiras para o desenvolvimento da indústria manufatureira e, consequentemente, da inovação nos países da AL foram analisadas por Feldmann em palestra realizada no Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT).

Tecnologia e economia

O professor defende que a tecnologia direciona a economia, e não o contrário.

"Ninguém explica como a tecnologia afeta a economia. Há modelos matemáticos para tudo - consumidor, empresas... -, mas para a tecnologia não existe isso", disse.

Feldmann destacou a baixa produtividade na indústria como denominador comum entre os países do continente e relacionou fatores que reduzem a produtividade:

  1. custos de transporte e energia, por conta dos gargalos de infraestrutura;
  2. falta de crédito para a pequena empresa - enquanto, por exemplo, na Alemanha essas empresas concentram 50% do PIB, no Brasil a concentração das pequenas é de apenas 20%;
  3. carga tributária elevada mais burocracia;
  4. baixo nível de capacidade da mão de obra; e
  5. falta de uma política industrial clara.

Indicadores da inovação

Por conta da produtividade baixa, os indicadores de inovação também refletem a desvantagem dos países latino-americanos.

Enquanto Estados Unidos e Japão registraram, respectivamente, 45,7 mil e 29,8 mil patentes no ano, o Brasil contabilizou apenas 480 patentes.

Da mesma forma, também faltam profissionais de tecnologia: o Brasil tem apenas 22 engenheiros para cada 10 mil habitantes, número que nos Estados Unidos é de 73 engenheiros para cada 10 mil habitantes.





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