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Espaço

Bactérias sobreviveriam a viagem interplanetária - sem nave espacial

Redação do Site Inovação Tecnológica - 28/08/2020

Bactérias sobrevivem a viagem interplanetária - sem nave espacial
As bactérias foram expostas ao espaço por um módulo especial instalado no laboratório japonês Kibo.
[Imagem: Yuko Kawaguchi et al. - 10.3389/fmicb.2020.02050]

Vida no espaço

Há muito tempo se desconfiava que os vírus podem chegar à Terra vindos do espaço, mas agora foram obtidos indícios de que mesmo formas de vida muito maiores podem sobreviver fora do aconchegante ambiente de um planeta.

Um experimento de astrobiologia realizado na Estação Espacial Internacional comprovou que aglomerados de bactérias podem de fato sobreviver no espaço, e sobreviver por longos períodos.

A comprovação dá força à hipótese da panspermia, a ideia de que a vida pode migrar entre planetas, semeando a vida por todo o Universo.

"A origem da vida na Terra é o maior mistério do ser humano. Os cientistas podem ter pontos de vista totalmente diferentes sobre o assunto. Alguns acham que a vida é muito rara e aconteceu apenas uma vez no Universo, enquanto outros acham que a vida pode acontecer em cada planeta adequado. Se a panspermia for possível, a vida deve existir com muito mais frequência do que pensávamos anteriormente," disse o professor Akihiko Yamagishi, da Universidade de Tóquio.

Bactérias sobrevivem no espaço

Em 2018, o professor Yamagishi e sua equipe testaram a presença de micróbios na alta atmosfera. Usando um avião e balões científicos de grande altitude, eles encontraram bactérias deinocócicas (Deinococcus) flutuando a 12 km de altitude. As Deinococcus já eram conhecidas por formar grandes colônias e serem resistentes a perigos ambientais, como a radiação UV.

Restava então saber se elas poderiam resistir por tempo suficiente no espaço para suportar a possibilidade da panspermia.

Para responder a essa questão, a equipe enviou colônias da bactéria para o laboratório japonês Kibo, na Estação Espacial, onde elas foram passadas para o lado de fora e expostas aos rigores do espaço por períodos de um, dois e três anos.

Um experimento de menor duração, feito há cerca de 10 anos, já havia mostrado que bactérias podem sobreviver no espaço, enquanto animais maiores e plantas sobreviveram no vácuo do espaço por até 18 meses.

Bactérias viajando no espaço

Neste novo experimento, após três anos, os pesquisadores constataram que todos os agregados superiores a 0,5 mm sobreviveram parcialmente às condições espaciais. As observações sugerem que, conforme as bactérias na superfície do agregado morriam, elas criavam uma camada protetora para as bactérias abaixo, garantindo a sobrevivência da colônia.

Usando os dados de sobrevivência com um, dois e três anos de exposição, os pesquisadores estimaram que uma pelota de bactérias com mais de 0,5 mm teria sobrevivido entre 15 e 45 anos na ISS. O desenho do experimento permitiu aos pesquisadores extrapolarem e preverem que uma colônia bacteriana de 1 mm de diâmetro poderia sobreviver até 8 anos nas condições do espaço sideral.

"Os resultados sugerem que a Deinococcus radiorresistente pode sobreviver durante a viagem da Terra a Marte e vice-versa, o que leva vários meses ou anos na órbita mais curta," disse o Dr. Yamagishi.

E esse período pode ser muito maior caso as bactérias estejam protegidas no interior de rochas, uma hipótese mais específica, conhecida como litopanspermia.

O próximo passo para comprovar de vez essas hipóteses sobre a vida migrando entre planetas pelo espaço, sem precisar de naves espaciais, exigirá estudos sobre o "pouso", bactérias deixadas em órbita e chegando vivas ao solo.

Bibliografia:

Artigo: DNA Damage and Survival Time Course of Deinococcal Cell Pellets During 3 Years of Exposure to Outer Space
Autores: Yuko Kawaguchi, Mio Shibuya, Iori Kinoshita, Jun Yatabe, Issay Narumi, Hiromi Shibata, Risako Hayashi, Daisuke Fujiwara, Yuka Murano, Hirofumi Hashimoto, Eiichi Imai, Satoshi Kodaira, Yukio Uchihori, Kazumichi Nakagawa, Hajime Mita, Shin-ichi Yokobori, Akihiko Yamagishi
Revista: Frontiers in Microbiology
DOI: 10.3389/fmicb.2020.02050





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