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Borboleta celeste emerge do seu casulo de poeira

Borboleta celeste emerge do seu casulo de poeira
[Imagem: ESO/P. Kervella]

Ampulheta cósmica

Algumas das imagens mais nítidas obtidas com o telescópio VLT do ESO, no Chile, revelaram o que parece ser uma estrela antiga dando origem a uma nebulosa planetária em forma da borboleta.

O feito foi possível graças ao SPHERE, um instrumento projetado para fotografar exoplanetas.

Ao fotografar a estrela gigante vermelha L2 Puppis, o SPHERE revelou que existe também uma companheira estelar próxima.

As fases finais das estrelas continuam a suscitar muitas questões aos astrônomos, incluindo a origem de uma nebulosa bipolar como esta, com a sua estranha e complexa forma de ampulheta.

A cerca de 200 anos-luz de distância, L2 Puppis é uma das gigantes vermelhas mais próximas da Terra que se sabe ter atingido já as fases finais da sua vida.

Óptica adaptativa extrema

O SPHERE consegue produzir imagens três vezes mais nítidas do que as obtidas com o Telescópio Espacial Hubble, o que explica a visão inédita da poeira que rodeia a L2 Puppis de forma extremamente detalhada.

O instrumento usa óptica adaptativa extrema para criar imagens com difração limitada, que estão muito mais próximo de atingir o limite teórico do telescópio se não houvesse atmosfera.

A óptica adaptativa extrema permite ver objetos muito tênues muito próximos de uma estrela brilhante - como exoplanetas. Estas imagens são também obtidas no visível, um comprimento de onda menor do que no infravermelho próximo, para os quais foram obtidas a maior parte das imagens anteriores com óptica adaptativa.

Estes dois fatores combinados dão origem a imagens significativamente mais nítidas do que as imagens anteriores.

Nascimento da nebulosa

Os astrônomos descobriram que o disco de poeira começa a cerca de 900 milhões de quilômetros da estrela - um pouco mais do que a distância do Sol a Júpiter - e que depois se espalha para o exterior, criando uma forma simétrica semelhante a um funil que rodeia a estrela.

A equipe observou também uma segunda fonte luminosa a cerca de 300 milhões de quilômetros - o dobro da distância da Terra ao Sol - de L2 Puppis. Esta companheira estelar muito próxima é muito provavelmente outra estrela gigante vermelha de massa similar, mas mais jovem.

"A origem das nebulosas planetárias bipolares é um dos grandes problemas clássicos da astrofísica moderna, especialmente a questão de saber exatamente como é que as estrelas liberam para o espaço a sua quantidade valiosa de metais - um processo importante, uma vez que este material será usado para produzir futuras gerações de sistemas planetários". disse Pierre Kervella, principal autor do artigo científico que descreve estes resultados.

Bibliografia:

The dust disk and companion of the nearby AGB star L2 Puppis
P. Kervella, M. Montarges, E. Lagadec, S. T. Ridgway, X. Haubois, J. H. Girard, K. Ohnaka, G. Perrin, A. Gallenne
Astronomy & Astrophysics
Vol.: 578 (2015) A77
DOI: 10.1051/0004-6361/201526194




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