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Brasil e Holanda assinam acordos para bioeconomia

Bioeconomia

Brasil e Holanda assinaram uma série de acordos que visam a colaboração científica em ciência, tecnologia e inovação.

O acordo mais geral foi assinado com o MCTI (Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação), seguido por vários acordos específicos com universidades e centros de pesquisa.

O cerne dos acordos são operações na área conhecida como bioeconomia.

O conceito de bioeconomia está relacionado ao desenvolvimento sustentável, que pressupõe novas relações com a Terra, com as pessoas e com o mercado, numa atitude de total respeito ao meio ambiente.

Agricultura sustentável

Carlos Nobre lembrou que, na colaboração ampla com a Holanda, foi acordado um amplo programa de pesquisa em agricultura sustentável. "O mundo vai precisar aumentar sua produção de alimentos em 80% até 2050 para sustentar 9 bilhões de pessoas, além de reduzir perdas", assinalou.

"O mundo espera que o Brasil produza de 20% a 30% a mais do que precisamos. Para isso, dispomos de muita área, clima favorável, solo fértil, além do compromisso de reduzir o impacto adverso da agricultura nos ecossistemas e no clima. E essa equação só se resolve com o conhecimento científico", declarou Nobre.

Ele também destacou o interesse de adaptar cidades litorâneas brasileiras às mudanças climáticas. "Nesse aspecto, a Holanda, com certeza, é líder mundial."

Outras áreas de cooperação deverão ser discutidas pelo comitê binacional do acordo, cuja primeira reunião está prevista para o primeiro semestre de 2013.

Na ocasião, serão discutidos temas como adaptação de zonas costeiras; tecnologias para cidades sustentáveis; agricultura sustentável; ciências da vida, incluindo saúde humana; esportes; e astronomia. O comitê vai elaborar um plano de trabalho para a cooperação bilateral.

Nova geração do etanol

Um dos acordos específicos foi celebrado com o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) de São Paulo, para conduzir pesquisas e desenvolvimentos dos processos de pirólise de bagaço de cana-de-açúcar, que vão integrar as tecnologias da planta-piloto de gaseificação de biomassa, projeto voltado à produção de etanol de segunda geração.

Segundo o acordo, uma planta-piloto da empresa BTG Bioliquids será usada para produzir as primeiras amostras de óleo, que depois virão ao Brasil para serem caracterizadas por pesquisadores brasileiros.

"Esse será um trabalho fundamental para o desenvolvimento da nossa tecnologia," afirma Gerhard Ett, engenheiro químico e gerente do projeto no IPT.

Ett diz que esses estudos ajudarão a criar a estratégia tecnológica adequada para a composição da futura planta-piloto, que deverá operar rotas termoquímicas para o processamento do bagaço de cana, inspirando-se no sistema de gaseificação do carvão, já consagrado em alguns países.

O IPT pretende também encontrar na produção de ácido biosuccínico (com base na cana-de-açúcar) uma alternativa para a substituição do ácido adípico, importante matéria-prima da indústria petroquímica, derivada do petróleo.

Esse estudo poderá conferir um caráter de sustentabilidade a uma ampla gama de materiais poliméricos e produtos químicos, já que sua base será a energia renovável.





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