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Brasil precisa fortalecer indústria para enfrentar crise

Condições teóricas

O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel, afirmou que o Brasil tem as melhores condições no mundo para superar a atual crise econômica internacional.

O ministro ponderou, no entanto, que o país precisa fortalecer a indústria nacional para enfrentar a disputa "predatória" com os produtos estrangeiros.

"Há uma crise internacional, mas não haverá outro país que melhor poderá sair dela do que o nosso. Não faço essa avaliação com otimismo exagerado, mas pela simples análise dos dados que temos", destacou.

"Somos um dos poucos países do G20 com déficit nominal abaixo de 2% [do Produto Interno Bruto]. Há cinco ou seis países do mundo que têm esse emblema para mostrar", destacou. "Temos responsabilidade fiscal acima da média dos outros países", completou Pimentel.

Sem solução

Para aumentar a competitividade e a produtividade da indústria nacional, Pimentel disse que o governo pretende atuar, dentro das ações do Plano Brasil Maior, em três pontos principais: inovação - aumentando a participação da ciência e tecnologia na produção -, tratamento adequado à produção local e, por último, com uma política de defesa comercial.

"Estamos preparados, mas estar preparado não significa que a solução está dada. Vamos ter que buscar solução para os desafios que estão colocados. Toda a solução econômica passa por uma instância política e uma negociação política", argumentou o ministro.

Empresas no último suspiro

Mas os dados mais recentes da economia parecem não dar margem a muito tempo perdido em negociações.

A inadimplência de pessoas jurídicas teve alta de 4,5% em julho na comparação com o mês anterior. Em relação a julho de 2010, houve aumento de 16,1%. Se considerado o acumulado de janeiro a julho de 2011, a alta chega a 13,6% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Segundo especialistas da área, a política monetária restritiva, com os juros mais altos do mundo, é determinante para a inadimplência das pessoas jurídicas.

Para eles, as empresas são prejudicadas pelo encarecimento do capital de giro e pela desaceleração da atividade econômica.

Uma desaceleração que está expressa no Índice de Nível Atividade (INA) da indústria paulista, cresceu desprezíveis 0,3% em julho na comparação com junho, e quase nada em relação a julho do ano passado, apenas 0,1%.

No acumulado do ano, a atividade industrial paulista evoluiu 2,5%, enquanto no período de 12 meses encerrado em julho, a elevação foi 3,5%.

Falta de confiança

Já o Nível de Utilização da Capacidade Instalada (Nuci) ficou em 82,7% em julho, um nível bastante elevado e que mostra pouca folga para uma eventual retomada do crescimento.

Essa incapacidade para crescer reflete uma série de anos com baixos investimentos, devido sobretudo à concorrência externa, acirrada pelo dólar mantido baixo pela preocupação com a inflação.

Em relação ao nível de confiança dos empresários, o índice caiu para 47,3%, o menor desde dezembro de 2010, quando 47% dos entrevistados informaram nutrir boas expectativas em relação à economia brasileira.





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