Espaço

Brilho misterioso nos confins do Sistema Solar pode ser
O Cinturão de Kuiper, localizado além da órbita de Netuno, é composto principalmente por corpos celestes de pequeno porte.[Imagem: Nasa/JHUAPL/SwRI/Magda Saina]

Novos Horizontes

A sonda New Horizons foi lançada em 2006 rumo a Plutão, onde chegou em 2015, revelando que o planeta anão é um mundo rico e cheio de enigmas que os cientistas ainda estão tentando interpretar, incluindo polígonos enormes e montanhas de gelo flutuantes.

Mas a sonda tem também uma missão de aspecto mais amplo: "Ajudar a entender os limites do nosso Sistema Solar".

E ela está fazendo isto ao captar uma luz estranha que pode explicar um fenômeno misterioso observado há mais de três décadas.

É um brilho ultravioleta, que parece emanar dos confins do nosso Sistema Solar. Mais precisamente, de uma hipotética "parede de hidrogênio", que marcaria o ponto em que a influência do Sol sobre os corpos celestes começa a desaparecer.

"Estamos vendo a divisa entre a vizinhança do Sistema Solar e a área fora dela, na galáxia," conta a pesquisadora Leslie Young, do SRI (Southwest Research Institute), membro da equipe da New Horizons.

Parede de hidrogênio

As duas naves espaciais da missão Voyager, lançadas nos anos 1970, identificaram sinais do curioso brilho há cerca de 30 anos.

Mas a New Horizons é a primeira sonda com instrumentos projetados para verificar esse fenômeno e ajudar a explicá-lo - sobretudo um espectrômetro chamado Alice. Por isso, mesmo antes de passar por Plutão, a New Horizons já vasculhava o espaço tentando localizar a tão falada parede de hidrogênio.

Brilho misterioso nos confins do Sistema Solar pode ser
A sonda vai continuar tentando localizar, pelo menos duas vezes por ano, a parede de hidrogênio. [Imagem: NASA]

O Sol produz uma corrente de partículas carregadas chamada vento solar, que gera uma bolha magnética em torno do Sistema Solar, cujo limite é conhecido como heliopausa. A heliosfera é, por sua vez, a região do espaço sob a influência do vento solar.

Mas, além dos limites da bolha, cerca de 100 vezes mais longe do Sol do que a Terra, os átomos de hidrogênio não carregados diminuem sua velocidade no espaço interestelar ao colidir com as partículas do vento solar. Essa acumulação formaria a tal parede de hidrogênio, que dispersaria a luz ultravioleta de um modo particular, causando o estranho brilho.

Outras possibilidades

Toda esta explicação, contudo, não é uma conclusão definitiva: a equipe da NASA reconhece que a luz detectada pelas Voyager, e agora pela New Horizons, também poderia emanar de uma fonte desconhecida mais distante.

A New Horizons vai continuar tentando localizar a parede de hidrogênio até o fim da missão, pelo menos duas vezes por ano, por um período de 10 a 15 anos. Wayne Pryor, um dos autores do estudo, ressaltou que, se a luz ultravioleta diminuir ou desaparecer em algum momento, isso significaria que a espaçonave poderia ter ultrapassado a parede de hidrogênio, comprovando sua existência.

Ao contrário das sondas Voyager, contudo, há mais de 40 anos no espaço, a New Horizons não está voando sem rumo: ela está rumando em direção a um asteroide chamado Ultima Thule (2014 MU69), onde deverá chegar em janeiro do ano que vem.

Bibliografia:

The Lyman-a Sky Background as Observed by New Horizons
G. Randall Gladstone, W. R. Pryor, S. Alan Stern, Kimberly Ennico, Catherine B. Olkin, John R. Spencer, Harold A. Weaver, Leslie A. Young, Fran Bagenal, Andrew F. Cheng, Nathaniel J. Cunningham, Heather A. Elliott, Thomas K. Greathouse, David P. Hinson, Joshua A. Kammer, Ivan R. Linscott, Joel Wm. Parker, Kurt D. Retherford, Andrew J. Steffl, Darrell F. Strobel, Michael E. Summers, Henry Throop, Maarten H. Versteeg, Michael W. Davis, New Horizons Science Team
Geophysical Research Letters
DOI: 10.1029/2018GL078808




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