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Estação Antártica pode ter mantido coleta de dados meteorológicos

Estação científica

O incêndio que atingiu a Estação Antártica Comandante Ferraz há um mês, destruindo o módulo principal da base, causou um prejuízo estimado em R$ 9 milhões em equipamentos.

A estimativa é do diretor do Centro Polar e Climático da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Jefferson Simões, veterano do Programa Antártico Brasileiro.

"Todos os laboratórios científicos que estavam dentro da estação foram afetados. A área de biologia foi a mais afetada, já que os laboratórios queimaram completamente. Na próxima semana, devemos finalizar a lista de equipamentos perdidos," disse Simões.

O pesquisador afirmou esperar que a comunidade científica seja convidada a participar do planejamento da nova Estação Antártica, que deverá começar a ser construída no final de 2013, para substituir a base destruída, como prometeu o governo federal.

"A demanda já feita ao Ministério da Ciência e Tecnologia [e Inovação] é que a estação siga o que há de mais moderno no mercado internacional para estações polares. E que ela seja planejada tendo como ponto de partida suas metas científicas", disse.

Baterias e painéis solares

A boa notícia é que o módulo meteorológico da Estação pode ter continuado a coletar e armazenar dados de pesquisa, mesmo depois do incêndio.

O módulo, que fica afastado da parte principal da base, funciona por meio de baterias e pode ter recolhido informações referentes à temperatura, direção e intensidade do vento, umidade relativa do ar e pressão atmosférica.

Segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), a estação meteorológica, chamada de Meteoro, tem baterias com carga suficiente para manter o funcionamento dos equipamentos por um mês.

O módulo funciona automaticamente sem a necessidade de pesquisadores no local. Missões do Inpe viajavam regularmente à estação apenas para fazer a manutenção da unidade.

Uma equipe de quatro técnicos do Inpe está neste momento na Ilha Rei George, verificando a situação dos equipamentos e instalando painéis solares e novas baterias no módulo Meteoro.

A ideia é que as novas fontes de energia continuem alimentando do módulo, a fim de manter a coleta, o armazenamento e até a transmissão dos dados. Os painéis devem ser instalados até o final da próxima semana.

Parando aos poucos

Ainda que o Inpe não consiga retomar a transmissão remota dos dados, a prioridade é garantir que os dados continuem a ser coletados e armazenados até que o núcleo da estação antártica seja reconstruído.

O objetivo é manter a série histórica dos dados, iniciada no verão de 1984/1985.

Segundo Jefferson Simões, módulos de outros tipos de pesquisa, que tampouco foram afetados pelo incêndio, também podem ter mantido a coleta e o armazenamento durante algum tempo.

"Tem vários módulos que continuaram coletando dados. O problema é que eles tinham bateria para uma semana, 15 dias, um mês. Então, aos pouquinhos, eles vão parando", disse Simões.





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