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Método para classificação de países acaba com conceito de emergentes

Com informações da BBC - 20/08/2015

Desenvolvidos e a caminho

A classificação que agrupa países como "desenvolvidos" e "emergentes" está ultrapassada? E quando um país finalmente deixa de ser emergente?

Para alguns economistas, esta avaliação não é só antiga como é simplista demais. Peter Marber, especialista em investimentos para "mercados emergentes", criou uma nova avaliação, que divide os países em 10 grupos diferentes após a análise de uma série de dados.

"Esta classificação [em desenvolvidos e emergentes] não está apenas desatualizada, mas é uma caracterização simplista. O mundo é muito mais segmentado do que preto e branco... Tem vários tons de cinza", disse ele.

Quanto mais perto do topo da classificação - o grupo 10 -, mais desenvolvido é o país. O Brasil está na categoria 6, junto com Rússia e África do Sul. Os três países integram o bloco Brics de países emergentes.

Curiosamente, Estados Unidos, China e Índia - os dois últimos também integrantes do Brics - ficam de fora da classificação, já que, segundo o economista, eles não podem ser comparados a nenhum outro país.

Classificação de países

Método para classificação de países acaba com conceito de emergentes
[Imagem: Loomis Sayles/BBC]

O método foi desenvolvido a partir da avaliação de 100 países. Cada um desses deles recebeu notas em nove itens, que avaliaram diversos indicadores em três áreas diferentes: fatores econômicos, financeiros e sociais.

Para mensurar o desenvolvimento financeiro, avaliaram-se dados referentes à nota de crédito do país, à moeda e ao tamanho do mercado acionário como proporção do Produto Interno Bruto (PIB).

Na questão econômica, levou-se em conta o tamanho da população, o PIB per capita e a competitividade, que incluiu avaliações sobre infraestrutura, mercado de trabalho e produtividade.

Em relação aos indicadores sociais, foram analisados o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), que avalia educação, saúde e bem-estar de países; o Índice da Economia do Conhecimento (IEC) do Banco Mundial, e uma mistura de indicadores de liberdades civis e direitos políticos.

Países únicos

Foram analisados dados do final de 2003 e do final de 2013 para que o desempenho dos países fosse comparado, o que levou à divisão da amostra em 10 grupos.

Os países integrantes do grupo 1 foram aqueles que receberam as menores notas - ou seja, estão mais sujeitos a riscos ou são menos desenvolvidos. Já os do grupo 10 registraram as melhores avaliações.

Nos dados de 2013, o grupo 10 reuniu 17 países desenvolvidos, entre eles Austrália, França, Alemanha, Japão e Reino Unido. No grupo 1, foram incluídos Bangladesh, Nigéria e Paquistão.

O Brasil ocupou o grupo 6, com Colômbia, Indonésia, Malásia, México, Filipinas, Rússia, África do Sul, Tailândia e Turquia.

Estados Unidos, China, Índia, Hong Kong e Catar foram considerados "casos únicos", disse Marber, em seus próprios grupos, por ser impossível compará-los com os demais.

Por que isso? Os Estados Unidos, devido à grande população e riqueza, que não permite que o país seja comparado com nenhum outro, explicou Marber. A China, devido à grande população. A Índia, também pela grande população, mas, devido às diferenças com a China, os países não podem ser comparados.





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