Logotipo do Site Inovação Tecnológica





Materiais Avançados

Métrica inédita de complexidade permite projetar materiais melhores

Redação do Site Inovação Tecnológica - 23/06/2026

Métrica inédita de complexidade permite projetar materiais melhores
As medidas de curvatura de grafos quantificam a desordem e a complexidade nos conjuntos de partículas.
[Imagem: Jonas Hallstrom et al. - 10.1126/science.aeb5134]

O que é complexidade?

O conceito de complexidade parece subjetivo, por isso Jonas Hallstrom e colegas de várias universidades causaram surpresa quando afirmaram ter desenvolvido uma medida quantitativa da complexidade - em termos simples, um método para medir o quanto uma coisa está mais bagunçada do que outra.

Na verdade, a ideia de que a complexidade é uma métrica relacionada às capacidades de um material foi proposta inicialmente pelo ganhador do Prêmio Nobel de Física, Murray Gell-Mann (1929-2019) nos anos 1960. Ele definiu estruturas complexas como combinações de ordem e aleatoriedade (ou desordem), enquanto estruturas simples conteriam apenas uma ou outra.

Gell-Mann também descreveu como a complexidade em pequenas escalas se propaga em cascata por escalas muito maiores. Os ossos, por exemplo, são compostos de nanocristais curvos que se fundem em placas torcidas; estas, por sua vez, se combinam em agregados maiores que se entrelaçam entre filamentos emaranhados da proteína colágeno; os padrões dentro de padrões tornam o osso duro, mas não quebradiço, o que não é algo fácil de se obter em materiais naturais.

Para trazer a complexidade dos sistemas vivos para os materiais sintéticos, os pesquisadores precisavam então introduzir o nível certo de complexidade para uma determinada aplicação. Só havia um problema: Até hoje não existiam métodos para calcular a complexidade e mensurá-la de forma objetiva.

"Gell-Mann traçou uma curva conceitual de funcionalidade e complexidade. Não havia números, e se você não tem números, não pode projetar complexidade em materiais reais. Agora podemos," disse o professor Nick Kotov, da Universidade de Michigan, nos EUA.

Métrica inédita de complexidade permite projetar materiais melhores
Gráfico de nós e arestas sobreposto a uma imagem de microscopia eletrônica de uma estrutura de nanopartículas de ouro, que inclui elementos de ordem e de aleatoriedade. As interações entre as partículas revelam a complexidade, prevendo as propriedades do material. As linhas cinzas indicam conexões em padrões cristalinos ordenados, as linhas vermelhas mostram interações em estruturas menores e menos ordenadas, e as linhas azuis mostram pontes entre aglomerados.
[Imagem: Jonas Hallstrom et al. - 10.1126/science.aeb5134]

Medida de complexidade

Para quantificar a complexidade, os pesquisadores recorreram à teoria dos grafos, uma disciplina já utilizada para compreender interações em grandes sistemas, incluindo ecossistemas e redes sociais. Nos grafos, cada partícula é representada por um nó; quando as partículas estão próximas o suficiente para interagir, uma linha é desenhada entre os nós. Isso permite medir a organização das partículas em múltiplas escalas.

Essa ideia foi então aplicada a sistemas formados por nanopartículas e a nanocristais:Um microscópio eletrônico de transmissão foi usado para obter imagens de centenas de nanopartículas formando cristais, e essas imagens foram usadas como guias para a elaboração dos gráficos. A seguir, simulações computacionais permitiram ampliar o experimento para sistemas maiores, com mais de 10.000 nanopartículas.

A série de gráficos permitiu condensar a rede de nós em métricas que quantificam como as interações entre nanopartículas vizinhas se propagam pelo grupo maior, bem como a facilidade com que as estruturas podem ser reconfiguradas. Estava criada uma métrica objetiva, numérica, para a complexidade dos sistemas de nanopartículas.

Métrica inédita de complexidade permite projetar materiais melhores
Nanopartículas de ouro passam de uma suspensão aleatória para cristais compactos. O grau de aleatoriedade muda completamente o comportamento do material como um todo.
[Imagem: Jonas Hallstrom et al. - 10.1126/science.aeb5134]

Projetar materiais melhores

As implicações do desenvolvimento desta nova métrica são práticas e de longo alcance.

Por exemplo, a métrica de complexidade mostrou uma forte correlação com a quantidade e os tipos de luz que nanopartículas de ouro testadas pela equipe conseguem refletir. As partículas de ouro refletem apenas fracamente a luz verde quando distribuídas aleatoriamente em um líquido, mas começam a refletir a luz infravermelha à medida que as redes cristalinas pouco compactadas emergem. Conforme os cristais formavam estruturas mais ordenadas e a complexidade diminuía, eles refletiam menos luz infravermelha.

A mesma métrica de complexidade também se correlacionou com a intensidade com que nanopartículas feitas de óxido de índio dopado com estanho - ou ITO, o material usado nas telas sensíveis ao toque - absorviam e refletiam luz.

Agora é uma questão de usar a nova métrica para fins práticos. "Os próximos passos para mim e para outros [nesta área] são desenvolver novas maneiras de projetar materiais funcionais com níveis específicos de complexidade estrutural e entender como essas estruturas possibilitam novas combinações de propriedades," disse o professor Thomas Truskett, membro da equipe.

Bibliografia:

Artigo: Decoding collective dynamics and complexity in nanoparticle assemblies using graph theory
Autores: Jonas Hallstrom, Puquan Pan, Jayson Sia, Sangwok Bae, Dingwen Qian, Chang Qian, Sindy Liu, Lehan Yao, Thomas M. Truskett, Delia J. Milliron, Qian Chen, Xiaoming Mao, Paul Bogdan, Nicholas A. Kotov
Revista: Science
Vol.: 392, Issue 6799
DOI: 10.1126/science.aeb5134
Seguir Site Inovação Tecnológica no Google Notícias





Outras notícias sobre:
  • Metrologia e Padronização
  • Nanopartículas
  • Fotônica
  • Nanomáquinas

Mais tópicos