Redação do Site Inovação Tecnológica - 30/06/2026

Microscopia 3D
Os microscópios ópticos mais modernos geram imagens extremamente nítidas, comparáveis a uma fotografia - mas só em um único plano, na parte frontal da amostra, o que significa que as informações de profundidade são imprecisas, borradas.
Para superar essa limitação, as amostras precisam ser fotografadas a partir de múltiplos ângulos de visão e as imagens combinadas em um modelo tridimensional feito por computador. Isso, claro, exige que cada objeto em estudo seja rotacionado e reposicionado, o que torna o trabalho tedioso e demorado. E, claro, coisas dão errado, e as amostras biológicas acabam sendo estragadas, exigindo recomeçar tudo.
Fan Nan e colegas do Instituto de Tecnologia Karlsruher (KIT), na Alemanha, acabam de encontrar um meio de realizar essa rotação de maneira excepcionalmente rápida e controlada, sem afetar as delicadas amostras.
A nova técnica consiste em usar um laser para aquecer localmente o líquido no qual a amostra está suspensa. O aquecimento cria fluxos de fluido sutis, que podem ser usados para mover com precisão os objetos sem o uso de ferramentas mecânicas, como pipetas, agulhas ou pinças.
"Não manipulamos a amostra diretamente," explicou Nan. "Em vez disso, controlamos o movimento do líquido circundante para que o objeto se alinhe."
Fluxos induzidos por laser
Fluxos induzidos por laser são conhecidos há algum tempo, mas eles também sofriam da deficiência de só conseguir gerar movimentos em um único plano. Agora, a rotação controlada no espaço tridimensional também se tornou possível: Usando varreduras rápidas do laser, os pesquisadores conseguiram gerar um fluxo espiral que gira os objetos suavemente, semelhante a um pequeno barco de papel girando sozinho em um redemoinho.
O controle tridimensional permite capturar estruturas celulares de forma mais eficaz a partir de diferentes perspectivas, gerando imagens mais nítidas de modo mais consistente. "Quando as amostras podem ser alinhadas com mais precisão, vemos mais detalhes," afirmou o professor Moritz Kreysing. "Este é um pré-requisito fundamental para uma melhor compreensão das estruturas e processos biológicos."
A expectativa é que este novo método de microscopia seja adotado em outras plataformas que exigem a micromanipulação sem contato, da micro e nano-robótica à fabricação de alta precisão em escalas minúsculas, conhecida como nanofabricação.