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Ministro Marcos Pontes revela suas prioridades em ciência e tecnologia

Ministro Marcos Pontes revela suas prioridades em ciência e Tecnologia
"Pretendemos [...] motivar jovens para as profissões de pesquisa. Também vamos promover maior divulgação científica," afirmou Marcos Pontes.[Imagem: Marcelo Camargo/Agência Brasil]

Divulgação científica

O novo ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTIC), Marcos Pontes, que carrega o título de primeiro astronauta brasileiro, defendeu como prioridade de sua pasta a divulgação de iniciativas de ciência e tecnologia.

Uma das secretarias do ministério terá como foco a formação, com vistas a pautar nas instituições de ensino públicas de todo o país a temática e o interesse pela produção de conhecimento.

"Pretendemos levar ciência e tecnologia junto com o Ministério da Educação e tentar promover a carreira de pesquisador, motivar jovens para as profissões de pesquisa. Também vamos promover maior divulgação científica," afirmou Pontes ao assumir o cargo.

Ele acrescentou que tem discutido com entidades da área formas de valorizar as carreiras de produção de conhecimento e de como motivar os pesquisadores brasileiros a ficarem no país. Entre os desafios estão a garantia de infraestrutura e a promoção do desenvolvimento profissional.

Da pesquisa à inovação

Além de ampliar a produção de conhecimento, Pontes registrou como necessidade o fortalecimento dos processos de transformação das pesquisas em inovações, com aplicações no setor produtivo e em outras atividades sociais. Para isso, ele destacou a importância de atrair investimentos privados para a constituição de parcerias com vistas ao desenvolvimento de soluções tecnológicas.

"A gente tem coletado vários modelos, como centros de inovação, parques tecnológicos, incubadoras. Vamos trazer isso para um modelo estruturante que a gente possa replicar em vários locais do país e que possam ser adaptados segundo a vocação local de cada lugar. O Brasil é país muito grande e precisamos adaptar a inovação," defendeu, adiantando que esses projetos devem ganhar o nome de Centros de Formações de Inovações.

As maiores empresas devem contribuir também com o estímulo às menores, as chamadas startups. Segundo Pontes, isso gera benefícios às duas pois desenvolve soluções que são interessantes às maiores firmas. Além disso, argumentou que é preciso articular outros órgãos, como Sebrae, governos estaduais e prefeituras.

Tecnologias estratégicas

Para além do MEC, Pontes ressaltou que vai buscar parcerias com outros ministérios para promover "tecnologias aplicadas" estratégicas, como as relacionadas ao espaço, nuclear, cibersegurança, inteligência artificial, de apoio ao desenvolvimento sustentável e de suporte à produção agrícola. Políticas já formuladas ou lançadas para determinadas tecnologias, como a de internet das coisas, estão sob análise para avaliar possíveis revisões.

Para ter uma pesquisa básica "forte" no país, outro desafio é o financiamento. Neste tema, Pontes reconheceu as restrições orçamentárias e destacou a necessidade de ampliar os recursos a essa atividade. "Nós temos no CNPq [Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico] um problema atual de investimentos, de orçamento, que a gente vai ter que trabalhar ao longo do ano com o Congresso Nacional ou com outras possibilidades para que a gente complete este orçamento, como foi feito no passado", disse.

Na área de comunicações, Marcos Pontes destacou como desafio a ampliação do acesso à banda larga no país. Segundo a edição mais recente da pesquisa TIC Domicílios, do Comitê Gestor da Internet, 74% dos brasileiros afirmaram já ter acessado a internet, índice abaixo dos de nações mais desenvolvidas. Essa penetração é marcada por desigualdades, já que a conectividade é de 77% na área urbana e de 54% na rural, de 79% na região Sudeste e de 66% na Nordeste e de 96% entre os que ganham mais de 10 salários mínimos e 60% entre aqueles com renda de até 1 salário mínimo.

Em relação ao Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC), utilizado em um programa para dar suporte à oferta de conexão à internet a áreas remotas, ele afirmou que é preciso "destravar a questão". O satélite foi lançado em 2017 mas passou por polêmicas jurídicas em razão da contratação de uma empresa dos Estados Unidos, a Viasat, para a operação de serviços. A operação sem licitação foi questionada na Justiça.





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