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Robótica

Músculo artificial amplifica movimento e memoriza toque

Redação do Site Inovação Tecnológica - 24/06/2026

Músculo artificial elastomagnético amplifica movimento e memoriza toque
Protótipos e demonstrações do novo músculo artificial amplificador de movimento e dotado de memória mecânica.
[Imagem: Seong-Yu Choi et al. - 10.1038/s41467-025-68225-y]

Instabilidade elastomagnética

Os atuadores flexíveis, entre eles os músculos artificiais, estão viabilizando a chamada robótica macia, mas também são altamente promissores para a área biomédica, das tecnologias assistivas aos robôs-cirurgiões.

Para que todas essas possibilidades virem realidade, contudo, é necessário vencer algumas limitações, como a força insuficiente para algumas aplicações, o deslocamento reduzido e um tempo de resposta lento.

Seong-Yu Choi e colegas da Universidade Nacional de Seul, na Coreia do Sul, apresentaram agora uma solução para vencer essas limitações: Um sistema mecânico capaz de amplificar o movimento e memorizar estímulos externos fazendo as membranas elásticas dos músculos artificiais interagirem com ímãs.

O que viabiliza essa nova família de atuadores flexíveis mais poderosos é um fenômeno chamado instabilidade elastomagnética, um mecanismo que acopla a atração do magnetismo com a força restauradora elástica.

Músculo artificial elastomagnético amplifica movimento e memoriza toque
Princípio de funcionamento do músculo artificial.
[Imagem: Seong-Yu Choi et al. - 10.1038/s41467-025-68225-y]

Amplificador e memória mecânica

O resultado é um músculo artificial composto por ímãs permanentes, membranas elásticas e um eletroímã: Quando a atração magnética e a tensão elástica estão equilibradas, o sistema entra em um regime biestável, permitindo a alternância entre dois estados mecânicos estáveis.

Basta então um pequeno estímulo elétrico para desencadear uma transição repentina, convertendo a energia elástica armazenada em movimento amplo e rápido. Esse comportamento imita vários mecanismos biológicos, como o das plantas carnívoras dioneia e utriculária e de animais como o camarão-pistola e a tamarutaca.

Ao contrário dos atuadores eletromagnéticos convencionais, cujo deslocamento normalmente aumenta gradualmente com a corrente de entrada, o novo sistema apresenta uma resposta não-linear e gradual. Uma vez acionado, o movimento amplificado pode persistir mesmo após a redução da entrada, devido à histerese induzida pela inércia.

Esse comportamento histerético também possibilita a memória mecânica, na qual estímulos externos, como o toque ou um ímã próximo, alternam o atuador de um estado de espera para um estado memorizado. Dependendo da condição de entrada, a memória pode ser volátil ou não-volátil.

Isto é curioso porque representa uma estratégia na qual a instabilidade mecânica e a inércia são tratadas como elementos funcionais do projeto, em vez de serem efeitos colaterais indesejáveis.

Músculo artificial elastomagnético amplifica movimento e memoriza toque
As aplicações podem se estender a tecnologias neuromórficas e até processadores mecânicos.
[Imagem: Seong-Yu Choi et al. - 10.1038/s41467-025-68225-y]

Aplicações

Como o mecanismo do atuador elastomagnético se baseia no equilíbrio de forças, e não em um material ou geometria específica, ele pode ser estendido a diversos sistemas robóticos flexíveis e sistemas mecânicos adaptativos, produzindo respostas amplas e discretas sem depender exclusivamente de uma entrada elétrica mais forte.

A equipe destaca ainda que sua nova abordagem elastomagnética pode ter aplicações em outras áreas muito diferentes. Por ser adequada para aplicações que exigem respostas discretas e energeticamente eficientes a pequenos estímulos com limiares programáveis, os atuadores poderão ser úteis como transistores mecânicos, processadores de sinais de pico, ou neuromórficos, ou como dispositivos com memória integrada.

Bibliografia:

Artigo: Elasto-magnetic instabilities for amplified actuation and mechanical memory
Autores: Seong-Yu Choi, Ji-Sung Park, Won Jun Song, Maga Kim, Yun Hyeok Lee, Yong Eun Cho, Hakjun Lee, Ho-Young Kim, Jeong-Yun Sun
Revista: Nature Communications
DOI: 10.1038/s41467-025-68225-y
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