Mecânica

Navio de pesquisa será alimentado por células a combustível de hidrogênio

Navio de pesquisa será alimentado por células a combustível de hidrogênio
Este poderá ser o primeiro navio de pesquisas científicas totalmente verde e ambientalmente correto. [Imagem: Glosten/Divulgação]

Navio verde e limpo

Engenheiros dos Laboratórios Sandia, nos EUA, afirmam ter demonstrado que é viável construir barcos e navios de pequeno porte totalmente elétricos, nos quais a eletricidade é gerada por células a combustível a hidrogênio.

Células a combustível de hidrogênio existem há décadas, e sempre houve interesse em usá-las - em vez de motores a diesel - principalmente para alimentar navios de pesquisa.

Esses geradores sem partes móveis são uma tecnologia de emissão zero, por isso não contaminam amostras de ar ou água coletadas em áreas ecologicamente sensíveis. Eles virtualmente não fazem barulho, por isso não perturbam a vida marinha e nem interferem com os muitos sensores que os cientistas usam. E não há riscos de vazamentos de óleo.

Já existem pequenos barcos elétricos a hidrogênio, mas a equipe dos professores Lennie Klebanoff e Joe Pratt, dos Laboratórios Sandia, já foi além, construindo uma balsa para 150 passageiros que opera na baía de São Francisco.

Com esta experiência, eles acreditam estar prontos para partir para aventuras mais desafiadoras, construindo um barco de pesquisas capaz de ir da Califórnia ao Havaí sem precisar abastecer.

Zero-V

O projeto do novo barco, batizado de Zero-V, é uma evolução daquela balsa. Mas fazer um barco de pesquisas exigiu rever praticamente tudo, do desenho do casco e da distribuição de peso até os mecanismos de reabastecimento.

"Em vez de ir rápido por curtos períodos e transportar muita gente, o navio de pesquisa vai mais devagar por distâncias muito maiores, transporta menos pessoas e deve permitir a operação de instrumentação científica sensível," justificou Klebanoff.

Enquanto a balsa tem uma autonomia de 160 quilômetros, o Zero-V precisará viajar pelo menos 3.800 quilômetros, o que representa 15 dias de viagem, antes de precisar encher os dois enormes tanques. O abastecimento será feito por caminhões de empresas que já fornecem o hidrogênio para uso industrial, facilitando o recarregamento em qualquer porto.

Os tanques, aliás, foram o grande limitador do projeto, porque ocupam espaço demais. Parte da solução foi adotar um projeto de barco trimarã. Um trimarã tem três cascos paralelos e geralmente é usado para barcos de alta velocidade. O design oferece uma grande quantidade de espaço acima do convés para os tanques e um espaço adequado abaixo dele para outros instrumentos e maquinaria científicos.

Isso permitirá acomodar 18 cientistas e 11 membros da tripulação, além de três laboratórios.

Navio de pesquisa será alimentado por células a combustível de hidrogênio
Detalhe do projeto do navio a hidrogênio. [Imagem: Glosten/Divulgação]

Caro, mas vale a pena

Com o projeto todo pronto e o estudo de viabilidade técnica e econômica finalizado, a equipe agora está procurando financiamento para construir o primeiro protótipo do Zero-V.

"Tal como outras ideias que mudam o jogo, essa abordagem inicialmente parece cara. Mas a energia solar era muito cara há não muito tempo atrás, e agora é acessível e amplamente adotada. As células a combustível de hidrogênio são igualmente uma tecnologia transformadora. Eles produzem energia limpa, silenciosa e não poluente nos navios, ao mesmo tempo em que permitem capacidades científicas superiores," justificou o engenheiro e ambientalista Bruce Appelgate.





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