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Novas análises dizem que cometa pode ser poroso - ou não

Redação do Site Inovação Tecnológica - 05/10/2020

Novas análises dizem que cometa pode ser poroso - ou não
Ilustração mostrando o sinal conectando o instrumento CONSERT do Philae, na superfície do cometa, ao da sonda espacial Rosetta. A aparência em forma de leque é resultado do movimento da Rosetta ao longo da sua órbita, com as cores marcando os caminhos do sinal separados conforme a órbita evolui.
[Imagem: ESA/Rosetta/Philae/CONSERT]

Estimativas

Um coração mole com um rosto durão - assim parece ser o cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko, no qual o módulo de pouso Philae, da sonda Rosetta, quase pousou em novembro de 2014.

Na verdade o sistema de pouso não funcionou, e o módulo Philae saiu capotando pelo cometa, até parar em uma encosta pedregosa, onde foi encontrado apenas dois anos depois.

O Philae operou pouco mais de dois dias na superfície - 63 horas, para ser mais preciso - o que não permitiu coletar muitos dados.

Além disso, como saber a localização exata era essencial para a análise dos dados dos instrumentos científicos da sonda e do módulo de pouso, os cientistas da missão tiveram que trabalhar com valores estimados.

Isso demorou muito tempo, e só agora foram divulgados resultados com a conclusão desses estudos.

Embora aquém do nível de confiabilidade que se esperava, os dados indicam que o interior do cometa é mais poroso do que o material próximo à superfície. Os resultados confirmam que a radiação solar modificou significativamente a superfície do cometa conforme este viaja pelo espaço entre as órbitas de Júpiter e da Terra.

O calor do Sol provoca uma ejeção e subsequente queda do material, que foi ficando mais denso e mais duro.

Novas análises dizem que cometa pode ser poroso - ou não
Aqui os sinais são vistos mais detalhadamente, propagando-se dentro do cometa desde o Philae até os pontos de onde estes saem do cometa para a sonda. A curva é resultado da projeção dos seus caminhos na superfície acidentada do cometa.
[Imagem: ESA/Rosetta/Philae/CONSERT]

Sem conclusões definitivas

As conclusões dos cientistas foram postas na forma de gráficos ilustrativos. A cor mais azulada na imagem acima indica caminhos mais rasos (apenas alguns centímetros de profundidade), enquanto os tons mais vermelhos mostram onde os sinais penetraram abaixo de 100 m de profundidade.

O tempo para o sinal viajar entre os dois radares oferece uma percepção sobre o núcleo do cometa, como porosidade e composição. A equipe concluiu que os raios se propagavam em velocidades diferentes, indicando densidades variáveis dentro do cometa.

Contudo, como os dados são muito parciais e frutos de um longo trabalho de estimativas, a própria ESA propõe que a discussão sobre a porosidade do cometa continua em aberto.

Na verdade, a missão Rosetta questionou tudo o que os cientistas teorizavam sobre os cometas, que deveriam ser "bolas de gelo sujas" - o cometa se revelou um corpo extremamente seco.

Bibliografia:

Artigo: The interior of Comet 67P/C-G; revisiting CONSERT results with the exact position of the Philae lander
Autores: Wlodek Kofman, Sonia Zine, Alain Herique, Yves Rogez, Laurent Jorda, Anny-Chantal Levasseur-Regourd
Revista: Monthly Notices of the Royal Astronomical Society
Vol.: 497, Issue 3, Pages 2616-2622
DOI: 10.1093/mnras/staa2001





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