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O Sol não é uma esfera perfeita

O Sol não é uma esfera perfeita
Esta imagem foi feita utilizando um filtro cálcio-K violeta. São as saliência rugosas brancas que dão ao Sol as protuberâncias ao longo do seu equador[Imagem: Gary Palmer]

Cientistas da missão Rhessi, da NASA, descobriram que o Sol não é uma esfera tão perfeita quanto se acreditava até agora. Eles mediram a circunferência de nossa estrela com uma precisão sem precedentes.

Durante os períodos de intensa atividade, o Sol cria uma espécie de casca que aumenta significativamente a aparência de que seu formato seja um elipsóide oblato - uma forma geométrica esferóide com os pólos achatados.

O formato do Sol

"O Sol é o maior e, portanto, o mais liso objeto no Sistema Solar, perfeito a um nível de 0,001% por causa de sua gravidade extremamente forte," diz o pesquisador Hugh Hudson, da Universidade de Berkeley. "Medir seu formato exato não é uma tarefa fácil."

Difícil, mas não impossível. Os cientistas conseguiram medir a esfericidade do Sol utilizando a sonda espacial Rhessi ("Reuven Ramaty High Energy Solar Spectroscopic Imager"). O mais interessante é que a Rhessi nunca foi projetada para medir o Sol, mas para estudar a física da aceleração das partículas e as explosivas liberações dessas partículas durante as tempestades solares.

Tempestades solares

Para capturar as tempestades solares mais rápidas, a Rhessi gira a 15 rpm e observa o Sol através de uma pequena janela retangular. Os cientistas logo descobriram que essa alta amostragem, devido à alta rotação da sonda espacial, permite o acompanhamento do formato do Sol com uma taxa de erros muito menor do que tinha sido possível com outros instrumentos.

Essa "técnica" - ou talvez fosse melhor dizer, esse golpe de sorte" - é particularmente sensível a pequenas diferenças entre as dimensões polar e equatorial do Sol, ou seja, justamente à sua "oblatura," ou formato elipsoidal.

Parecido com um melão

O resultado é que os cientistas descobriram que a superfície do Sol se parece mais com a superfície de um melão do que com o de uma esfera de vidro. Um padrão de sulcos em sua superfície aumenta o raio equatorial aparente do Sol em um ângulo de 10,77 +- 0.44 mili-arcossegundos.

Pode parecer pouco, mas esse ângulo pode fazer a diferença entre erros grosseiros e cálculos corretos da força gravitacional que o Sol exerce sobre os planetas, além de influir diretamente nas sutis medições que os cientistas fazem para testar a Teoria da Relatividade.

Bibliografia:

A Large Excess in Apparent Solar Oblateness Due to Surface Magnetism
Martin D. Fivian, Hugh S. Hudson, Robert P. Lin, H. Jabran Zahid
Science
October 2, 2008
Vol.: Published Online before print
DOI: 10.1126/science.1160863




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